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Câmara dos EUA aprova ajuda a montadoras; Senado pode rejeitar

Da Redação

Em São Paulo

(Texto atualizado às 15h54)

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na noite de quarta-feira um plano de US$ 14 bilhões em empréstimos para ajudar os três principais fabricantes de automóveis do país: a General Motors, a Ford e a Chrysler. Mas parlamentares prevêem que no Senado o texto pode ser rejeitado.

"Seguimos discutindo com o Senado sobre este processo, mas há uma grande resistência para se ajudar diretamente as montadoras", declarou Steny Hoyer, líder da maioria democrata na Câmara, para quem o impacto da falência das montadoras "seria muito grave" para a economia americana.

Parlamentares consultados pela agência Efe dizem não haver motivos para esperar que a proposta seja votada ainda hoje. Para o líder democrata Harry Reid, é possível que a votação seja postergada até o fim de semana.


Aprovação 'difícil'
O pacote foi aprovado pelos deputados com 237 votos favoráveis e 170 contrários. No Senado, serão necessários 60 votos favoráveis. "Vai ser difícil, mas não perdemos a esperança", disse um assessor democrata.

A própria Câmara já impôs concessões às montadoras: a ajuda aprovada corresponde a menos da metade dos US$ 34 bilhões que as montadoras pediam inicialmente. Até ontem, o texto previa US$ 15 bilhões, mas, no último momento, os congressistas decidiram reservar parte deste valor para as pequenas empresas, baixando a ajuda para US$ 14 bilhões.

240 mil empregos
A rejeição "seria um grande desastre", disse o democrata John Dingell. A GM e a Chrysler precisam do dinheiro com urgência, até o fim do mês, para sobreviverem. A Ford, em situação menos desesperadora, busca uma linha de crédito que poderá ser utilizada se suas finanças ficarem pior que o esperado em 2009.

As três companhias empregam, juntas, 240 mil pessoas diretamente, segundo dados de setembro. Com a inclusão dos postos de trabalho indiretos, a exemplo de autopeças, outros fornecedores e concessionárias, o setor representa 2,2 milhões de empregos e US$ 65 bilhões anuais em salários. A indústria afirma que é responsável por 10% dos empregos norte-americanos.

A Casa Branca endossou publicamente o plano esperando ganhar simpatia de republicanos céticos quanto a sua eficácia. Sem o apoio de uma dúzia ou mais de senadores governistas, o plano será rejeitado, afirmou um assessor democrata.

Liberação imediata
O plano prevê a liberação imediata dos US$ 14 bilhões em empréstimos às montadoras. O governo deverá assumir, em contrapartida, uma participação nas empresas no valor de até 20% do total da ajuda, o que corresponderia a US$ 2,8 bilhões.

Os empréstimos são destinados a financiar as empresas até 31 de março; depois disso, novas ajudas dependeriam da qualidade dos planos de reestruturação que têm que provar a viabilidade das empresas.

'Czar' dos veículos
Sob o nome de "Projeto de Lei sobre o Financiamento e a Reestruturação da Indústria Automobilística", o texto prevê a nomeação de uma espécie de "czar" dos veículos, encarregado de supervisionar as medidas de reestruturação exigidas às montadoras.

Esse fiscal deve acompanhar as condições dos empréstimos e julgar os planos de reestruturação, incluindo a concessões feitas por trabalhadores, administração das empresas, detentores de títulos entre outros participantes do setor. Ele poderá recomendar a falência se considerar que os planos de reestruturação das empresas for inadequado.

Fábricas ultrapassadas
Os democratas propõem que os recursos sejam usados pelas montadoras para reequiparem fábricas e produzirem veículos com consumo mais eficiente.

As principais fábricas de automóveis dos Estados Unidos utilizam tecnologia ultrapassada, explica o professor Sérgio Buarque de Holanda Filho, professor titular de economia da Universidade de São Paulo. As japonesas produzem veículos de melhor qualidade a um custo mais baixo, segundo o economista.

(Com informações de AFP, EFE e Reuters)

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