Déficit comercial é pontual e não encerra um ciclo, afirma economista

Sílvio Crespo

Em São Paulo

O déficit de US$ 518 milhões da balança comercial brasileira em janeiro, que interrompeu uma série de 93 meses seguidos de superávit, é pontual e não representa o fim do ciclo de saldos positivos, avalia o economista Julio Gomes de Almeida, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

"Os problemas da economia mundial estão atingindo antecipadamente as exportações e não tanto as importações", afirma Almeida. "É uma questão de tempo que as duas coisas se ajustem, com importação e exportação caindo."


Ele estima que esse descompasso seja resolvido nos próximos meses, de modo que as importações caiam e levem a balança comercial novamente a ter superávit em abril.

Segundo o economista, as matérias-primas - principal item das exportações brasileiras - durante a atual crise financeira sofrem queda de preços antes dos produtos industrializados.

"Temos exportações importantes na área de commodities, como aço, ferro, petróleo, derivados de petróleo e produtos agrícolas. O preço dessas mercadorias e a demanda por elas caíram muito. Sofremos impacto duplamente: as nossas vendas em dólar recuaram seja porque os preços baixaram, seja porque diminuiu a quantidade vendida."

Almeida afirma que leva-se tempo até que a queda do preço das matérias-primas se reflita no barateamento do produto final, industrializado. "Bens de capital (máquinas usadas na produção de bens) são feitos de aço. O preço do aço caiu no mercado internacional, mas o preço dos bens de capital ainda não foram afetados", explica o exemplifica o economista.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos