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Clinton diz que biocombustível pode dar liderança global ao Brasil

Maurício Savarese

Em São Paulo

O ex-presidente dos EUA Bill Clinton afirmou nesta segunda-feira em São Paulo que os biocombustíveis podem incluir o Brasil no grupo dos países mais importantes do mundo.

Para ele, o futuro do Brasil dependerá da utilização de fontes renováveis de energia e da capacidade de exportar essa tecnologia sem descuidar da floresta amazônica.

"Vocês podem liderar o caminho para um futuro melhor", disse Clinton em discurso na Ethanol Summit, em São Paulo. "Mas, para isso, vocês têm de provar que podem ajudar o mundo sem sufocar a Amazônia com plantações de cana-de-açúcar nem com pecuária."

Segundo Clinton, os países que combatem o aquecimento global são os que mais reduzem a desigualdade no mundo. Ele citou Suécia, Dinamarca, Alemanha e Reino Unido, que servem de exemplo inclusive para o Brasil.

"O Brasil é a oitava economia do mundo. E, apesar de ser eficiente em energia, não pode achar que está fazendo o suficiente. Esses outros países conseguiram."

Em sua sexta visita ao Brasil (a primeira foi como presidente em 1997), Clinton brincou que Brasil e EUA "trocaram de lugar" em relação a dez anos.

"Quando vim pela primeira vez, ajudei o presidente Fernando Henrique a superar a crise da Ásia. Agora estou aqui, o Brasil tem US$ 200 bilhões de reservas e os EUA estão endividados em mais de US$ 1 trilhão."

Taxação americana
Clinton admitiu que os Estados Unidos cobram altas taxas de importação para o etanol brasileiro, mas que isso se reverteria caso "as emissões de gás do efeito estufa tivessem um preço em cima delas".

"Se isso tivesse um custo financeiro, os Estados mais progressistas como a Califórnia acabariam importando o etanol brasileiro mesmo assim. Mas não é isso que acontece", disse. O ex-presidente americano afirmou que não fez o mesmo em sua passagem pela Casa Branca, antecedendo George W.Bush, porque o Congresso "derrubava qualquer lei nesse sentido antes mesmo de ela chegar".

"Nem se incomode, me diziam. E não eram só os republicanos: o meu partido também discordava de mim. O Congresso atual é mais progressista e vejo chances de mais avanço agora", completou.

A produção de etanol no Brasil superou 22 bilhões de litros na safra de cana-de-açúcar 2007-2008, um aumento de 25% sobre o período anterior, de acordo com a Única, maior associação do setor no país. Nos anos anteriores, diz a entidade, 85% da produção foram repassados ao mercado interno e apenas 3,6 bilhões seguiram para o exterior.

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