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Análise: cúpula marcará o início do fim da hegemonia do G8

Sílvio Crespo

Em São Paulo

Os próximos dias marcarão "o início do fim da hegemonia do G8", o grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia, avalia o professor Márcio Holland, da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. O grupo se reúne a partir desta quarta-feira na cidade de Áquila, na Itália.

Ao mesmo tempo, o encontro dará início ao processo de inclusão de países como China e Brasil nas orientações que antes eram definidas apenas no círculo do G8. "Nas nomeações do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, esses países podem ganhar mais espaço."


Holland chama atenção para o fato de que, após o encontro do G8, "vamos ficar com a impressão de que não se avançou nada, o que não é verdade". A sensação existirá porque a reunião não é deliberativa, mas definirá orientações gerais que depois vão se refletir nas nomeações dos cargos e nas diretrizes dos grandes organismos internacionais.

A abertura do G8 a outros países tende a se refletir nos financiamentos, nas linhas de crédito e no peso que cada emergente terá no FMI. A inclusão de mais países afetará, ainda, o foco desses financiamentos (se serão direcionados mais para investimentos ou para combate à miséria) e deve repercutir no debate sobre a regulação do sistema financeiro internacional.

"O que se decide nessa cúpula (do G8) não terá muita repercussão se a discussão não tiver passado também pelo G20", afirmou Holland, referindo-se ao grupo que reúne o G8, a União Europeia e mais 11 nações emergentes.

Brasil e China, entre outros países que não fazem parte do G8, foram convidados para um outro encontro, imediatamente após o do grupo dos oito.

O fim da hegemonia do G8 decorre, segundo Holland, de três fatores: a crise econômica, a ascensão das economias emergentes como a China, que hoje já o maior exportador do mundo, e a proeminência das potências regionais, como Brasil, México e África do Sul.

As discussões sobre a mudança climática, por exemplo, ficam comprometidas se não levarem em conta a participação da China, um dos maiores poluidores do mundo; e "se o Brasil for deixado de fora, teremos um risco grande para a estabilidade da América Latina".

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