Brasileiros cortam quase 5 horas da jornada de trabalho em 19 anos

Da Redação

Em São Paulo

A jornada de trabalho média dos brasileiros que têm alguma ocupação caiu 10,7% ao longo de 19 anos, mostra estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

A jornada média dos trabalhadores do país era de 44,1 horas por semana em 1988; em 2007, de 39,4, uma redução de quase cinco horas (veja quadro abaixo). O estudo parte do ano da atual Constituição do país, que estabeleceu como jornada máxima o tempo de 44 horas; até aquele momento, o limite era de 48 horas.


JORNADA DE TRABALHO
DOS BRASILEIROS
Por sexo, cor e região
(média de horas semanais)
Homens42,647,4
Mulheres35,139,5
Pardos4143,7
Pretos40,144,1
Brancos39,744,4
Amarelos38,543,7
Sudeste4144,3
Centro-Oeste40,545,9
Sul39,946,0
Nordeste36,742,2
Brasil39,444,1
Categoria20071988
A queda do número de horas trabalhadas, ao contrário do que se pode esperar, não foi um benefício para a população, uma vez que, segundo o Ipea, essa tendência foi um reflexo do baixo dinamismo da economia no período.

"Possivelmente, o quadro geral de baixo dinamismo econômico acompanhado da elevação do desemprego e de queda na remuneração do trabalho terminou impondo a muitos ocupados a ampliação do horário de trabalho, bem como o exercício de qualquer horário, por menor que seja, como estratégia de sobrevivência mínima", afirma o estudo.

O fraco crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), de 2,4% em média no período analisado, provocou a diminuição do número de pessoas com jornada completa (40 a 44 horas semanais). Em 1988, esses trabalhadores eram 58,6% do total de ocupados; em 2007, passaram a 37,2%.

O estudo mostra que aumentou o número de trabalhadores que utilizam hora extra, de 30,1% do total em 1988 para 43,6% em 2009. No entanto, a parcela dos que trabalham 19 horas ou menos mais que dobrou, passando de 3,4% para 9,1% no período.

As regiões com maior informalidade são as que concentram maior proporção de trabalhadores com tempo mínimo ou parcial de trabalho (menos de 40 horas por semana).

O Piauí e o Maranhão, Estados com maior informalidade no país, são os que têm a maior parcela de trabalhadores com jornada mínima ou parcial (até 19 horas). Já São Paulo e Santa Catarina, os com menor informalidade, estão, junto com o Distrito Federal, entre os Estados com menor parcela de ocupados com tempo mínimo ou parcial.

Outro indicativo de que a redução da média de horas trabalhadas está relacionada à informalidade é o de que a redução da jornada ocorreu mais intensamente no setor agrícola (queda de 26%, de 45,6 horas em 1988 para 33,6 em 2007).

Na classificação por sexo, o corte da jornada média foi um pouco mais forte entre as mulheres (redução de 11,1%) do que entre os homens (queda de 10%).

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