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Em meio à corrida às lojas, Venezuela anuncia plano contra remarcação de preços

Renata Giraldi

Da Agência Brasil

Brasília - O governo da Venezuela deu uma ordem geral de fiscalização contra a remarcação de preços ocorrida em todo país, depois que houve uma elevação nacional no preço da maioria das mercadorias em resposta à maxidesvalorização da moeda. A medida foi tomada em paralelo à decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de colocar o Exército para controlar as empresas que ameaçam remarcar seus produtos.


O ministro do Comércio, Eduardo Samán, disse que haverá uma "fiscalização massiva" com o apoio da Guarda Nacional, dos Conselhos Comunitários e do Comitê de Controladoria. De acordo com o ministro, o aumento de preço é irregular e ilegal. Nos últimos dias, houve uma corrida dos venezuelanos às lojas em busca de produtos importados, sem remarcação, antes da maxidesvalorização da moeda.

Alguns jornais venezuelanos noticiam nesta segunda-feira (11) que Chávez teria ameaçado tomar as lojas dos comerciantes que insistissem na remarcação de preços. De acordo com a imprensa local, as lojas retiradas dos comerciantes seriam entregues aos trabalhadores para a construção de um "comércio socialista".

A reação da população causou manifestações públicas de Chávez e sua equipe. O presidente venezuelano avisou que seria lançado um plano contra especulação para evitar o aumento estimulado pela "burguesia". "Não há razão para ninguém aumentar preços",afirmou Chávez, em seu programa de rádio "Alô, Presidente".

Na última sexta-feira (8), Chávez anunciou a criação de uma taxa cambial dupla – uma para os setores básicos da economia, com um dólar a 2,60 bolívares, e outra para o restante da economia, com o dólar a 4,30 bolívares. A taxa oficial de câmbio era mantida estável pelo governo desde 2005 em 2,15 bolívares por dólar.

Segundo o presidente venezuelano, a desvalorização do bolívar aumenta a competitividade dos produtos venezuelanos e reduzir a dependência das importações. Mas os críticos dizem que isso vai alimentar a inflação, que já chegou aos 25% anuais. Para ele, as duas taxas de câmbio terão o efeito positivo.

Aos correligionários, Chávez atribui à oposição uma campanha contra ele. Em seus discursos, o presidente venezuelano sugeriu que a oposição exija um referendo para verificar as ações de governo. Lembrou ainda que cumpre três anos do seu terceiro mandato.

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