Alimentos, transportes e combustíveis pressionam, e IPCA tem maior alta desde maio de 2008

Da Redação, em São Paulo

A inflação no Brasil acelerou de 0,37% em dezembro para 0,75% em janeiro, impulsionada por custos maiores com alimentos, combustíveis e passagens de ônibus, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice foi o maior desde maio de 2008, quando a alta foi de 0,79% (veja gráfico ao final do texto).

Os dados se referem ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de preços, usado pelo governo para definir suas metas anuais de inflação. Para 2010, o objetivo do governo é uma inflação anual de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

IPCA POR GRUPOS

Segmento Variação
Transportes 1,45%
Alimentos e Bebidas 1,13%
Despesas Pessoais 0,78%
Artigos de residência 0,41%
Saúde/Cuid. Pessoais 0,36%
Vestuário 0,31%
Habitação 0,27%
Educação 0,26%
Comunicação 0%

O IPCA acumulou alta de 4,59% em 12 meses até janeiro, superando o centro da meta de inflação do ano pela primeira vez desde junho de 2009.
 
O indicador ficou um pouco acima da previsão dos analistas. Segundo pesquisa feita pela Reuters, a projeção do mercado é que o IPCA fechasse janeiro em 0,7%.

O maior impacto individual para o IPCA em janeiro foram as tarifas de ônibus urbanos, que subiram 3,9% e deram 0,14 ponto percentual de contribuição, seguidas por combustíveis, com variação de 2,08% e contribuição de 0,1 ponto percentual. Juntos, ônibus e combustíveis reponderam por um terço do IPCA em janeiro.

O IBGE mostra que a alta de 3,9% no grupo de ônibus sofreu pesada influência de São Paulo, onde houve reajuste de 17,4% no valor das tarifas, que passaram de R$ 2,30 para R$ 2,70 em janeiro. Também foi observado um aumento de 4,18% nas passagens em Salvador, passando de R$ 2,20 para R$ 2,30 no mês passado.

Em relação aos combustíveis, o álcool mostrou alta acentuada, ficando até 11,9% mais caro, o que refletiu na gasolina, que encareceu 1,33%, devido à quantidade de álcool que possui em sua composição.

O grupo alimentos e bebidas teve uma forte aceleração nos preços no mês passado, e passou para 1,13%, contra 0,24% registrado em dezembro. Assim, o segmento contribuiu com 0,25 ponto percentual e também foi responsável por um terço do IPCA no período.

IPCA POR REGIÕES

Local Variação
Rio de Janeiro 1%
São Paulo 1%
Belém 0,8%
Salvador 0,77%
Goiânia 0,57%
Porto Alegre 0,55%
Belo Horizonte 0,53%
Fortaleza 0,52%
Curitiba 0,39%
Brasília 0,23%
Recife 0,2%

Contribuiu para esta alta, segundo o órgão, as chuvas intermitentes das últimas semanas, que têm afetado negativamente as lavouras de pólos produtores importantes.

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, os maiores resultados do IPCA ficaram com Rio de Janeiro e São Paulo, ambas com 1%. Na contramão, a menor variação ficou com Recife, de 0,2%.

Repercussão
Apesar de o IPCA ter acelerado neste início de ano, analistas explicam que as pressões sobre o índice são pontuais, por conta de entressafra, chuvas e reajuste de passagens, e, com o fim delas, a inflação deve arrefecer em fevereiro, mas sem muita força ainda já que o impacto dos custos maiores com mensalidades escolares que vão entrar no cálculo deste mês.

"Os preços dos alimentos estão subindo, com destaque para a parte de açúcar -por problemas estruturais, como quebra de safra na Índia- e de (produtos) in natura -afetados pelas chuvas do período", diz Daniel Xavier, economista sênior do Banco Safra.

"Há também uma pressão de alta de Transportes, por conta dos combustíveis e da tarifa de ônibus em São Paulo e Salvador", afirma.

Os custos das mensalidades escolares são reajustados a partir de janeiro, início do ano letivo, mas a metodologia do IPCA capta esse aumento apenas no dado de fevereiro.

Como alguns desses efeitos são sazonais e todos são considerados pontuais, as fortes taxas previstas para este começo de ano não mudam a perspectiva de inflação sob controle e dentro da meta em 2010, mas os analistas seguem atentos a eventuais pressões diferentes. 

"O comportamento das medidas de núcleo (da inflação) será observado com atenção e, eventualmente, pode provocar algum ajuste nas previsões para o índice", disse Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

(Com informações da Reuters)
 

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