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Recompra de títulos da dívida pública atinge maior nível desde 2007

Wellton Máximo

Da Agência Brasil

Brasília - A recompra de títulos da dívida pública externa registrou o maior nível desde o início da crise financeira internacional. Segundo números divulgados há pouco pelo Tesouro Nacional, a recompra de papéis da dívida externa somou US$ 828,4 milhões em fevereiro, o maior valor desde agosto de 2007.

De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, a aquisição de papéis brasileiros emitidos no exterior foi determinante para a diminuição de 4,53% na Dívida Pública Federal Externa (DPFE) registrada em fevereiro. No mês passado, a DPFE caiu de R$ 101,9 bilhões para R$ 97,3 bilhões, influenciada também pela queda de 3,4% do dólar ante o real ao longo do mês.

Na avaliação do coordenador-geral, a recuperação dos indicadores econômicos do Brasil tem ajudado a melhorar a composição da dívida externa, conquistada por meio da recompra de títulos de curto prazo nas mãos dos aplicadores estrangeiros. "Com a confiança na manutenção dos bons indicadores do Brasil, os investidores se sentem mais confiantes para comprar títulos de longo prazo e de se desfazer dos papéis de curto prazo, que vencem entre 2011 e 2015."

A cada dois meses, o Brasil recompra parte dos títulos da DPFE. No ano passado, por causa da crise econômica, as recompras haviam ficado entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões ao longo de 2009.

Para Garrido, tal confiança também se traduz no aumento da participação de investidores estrangeiros na dívida interna, que voltou a bater recorde em fevereiro. No mês passado, os aplicadores internacionais detinham 8,75% da dívida mobiliária (em títulos) interna. Equivalente a R$ 118 bilhões, o percentual é o maior da história e superou o nível registrado em janeiro, quando tinha atingido 8,74% (R$ 114 bilhões).

O coordenador afirmou ainda que o Tesouro conseguiu vender títulos de prazo mais longo no mês passado. Em fevereiro, o governo emitiu títulos prefixados (com juros definidos no lançamento) com vencimento em 2021, iniciando a substituição dos papéis que vencem em 2017. Em relação aos títulos vinculados a índices de preços, papéis que venciam em 2024, 2035 e 2045 começaram a ser trocados por papéis com vencimento em 2030, 2040 e 2050, respectivamente.

"Com a melhoria dos indicadores macroeconômicos, a tendência é que os investidores procurem títulos com juros menores e prazos mais longos, o que ajuda a melhorar o perfil da dívida pública e reduzir o risco para o Tesouro", declarou Garrido.

Por meio dos títulos públicos, o Tesouro pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar os compromissos. Em troca, o governo se compromete a devolver o dinheiro com prazos juros estabelecidos na negociação com o mercado. Juros mais baixos e prazos maiores são favoráveis ao Tesouro porque facilitam a administração da dívida pública.

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