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Brasil é "quase" um país de classe média, diz Mantega

Da Agência Brasil, em Brasília

O crescimento da economia brasileira neste ano, entre 5,5% e 6%, se dará sem desequilíbrio macroeconômico, sem formação de gargalos ou de bolhas, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao participar da reunião da direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) nesta quarta-feira.

Segundo ele, "quase já se pode afirmar" que o Brasil é um país de classe média, e o governo tem a inflação sob controle. Para ele, se não fossem os alimentos, que ficaram mais caros por causa da chuva, principalmente em São Paulo, os índices de inflação seriam menores.

Mantega também voltou a dizer que a economia brasileira já está aquecida e voltou aos níveis pré-crise, antes de outubro de 2008, e que a estimativa é de serem gerados 2 milhões de empregos neste ano.

Ele afirmou que houve aumento real do salário mínimo e redução das desigualdades, com o aumento de renda e o crescimento do segmento social conhecido como classe C ou classe média, reduzindo-se os segmentos D e E. Pelos cálculos apresentados, a classe C já representa mais de 50% da população brasileira.

"Quando nós começamos o governo, o mínimo mal comprava uma cesta básica. Hoje, compra quase duas. Quase duplicou o poder de compra do mínimo, o que foi fundamental para diminuir a pobreza e ampliar o mercado consumidor", disse Mantega, lembrando que esses fatores foram fundamentais para o enfrentamento da crise.

O ministro lembrou que, diante das turbulências do ano passado, outros países tiveram o consumo retraído, mas, no Brasil, foi um período que coincidiu com uma forte atuação da classe consumidora, pois existem no país segmentos da população com capacidade de compra, com salário e renda maiores, que estimulam o comércio.

O consumo, segundo os dados do ministro, deve ter crescimento entre 8% e 8,5% neste ano. O número é considerado importante pela equipe econômica, porque é com base nele que os empresários fazem os investimentos. Em consequência, aumentam o emprego, a renda e o mercado consumidor.

Mantega ainda defendeu os investimentos em infraestrutura que vêm sendo feitos, incluindo ferrovias, estradas, portos, refinarias e trem-bala, além de hidroelétricas para evitar, segundo ele, o apagão energético que houve em 2001. O ministro da Fazenda também disse ainda aos participantes do encontro da CUT que não existia política industrial antes no Brasil e que o termo era considerado palavrão para muitos.

O ministro da Fazenda enfatizou também o fortalecimento das estatais, que, para ele, devem sempre ser fortes e eficientes e lembrou os estímulos dados à indústria naval, sem os quais o Brasil ainda seria dependente de tecnologia externa. "Isso é o Estado estruturando crescimento sem ineficiências", disse.
 

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