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Guru da crise vê Brasil melhor que ricos, mas teme superaquecimento

Diego Salmen
Maurício Savarese

Do UOL Notícias, em São Paulo

Um dos raros homens a ganhar dinheiro na crise detonada em 2008, o economista Nouriel Roubini afirmou nesta segunda-feira que o Brasil está se recuperando melhor que os países ricos. No entanto, ele vê riscos de superaquecimento por conta de fragilidades na estrutura fiscal do país.

Para Roubini, que faz sua segunda visita ao Brasil, o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de se concentrar em reformas estruturais e no combate ao crescente deficit nas contas públicas.

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O economista disse ver a necessidade de um aperto gradual da política monetária do Brasil, para conter a inflação. Ele disse ainda que a sobrevalorização persistente do real pode prejudicar a competitividade.

Ele também afirmou que o Brasil tem uma economia mais diversificada que a China, por privilegiar o consumo interno, e que no futuro será menos afetado por turbulências nas principais potências mundiais.

"Isso tudo é importante, mas a prioridade deve ser elevar o capital humano, como educação e saúde, para que esse seja um país de crescimento de longo prazo", disse Roubini durante um fórum da revista Exame em São Paulo.

"As coisas estão indo bem no Brasil e podem ir ainda melhores se vocês lidarem com esses gargalos."

Roubini, que ganhou credibilidade ao prever uma crise econômica por conta de financiamentos imobiliários de alto risco, afirmou que os recentes problemas na Grécia "são apenas a ponta do iceberg do que acontece em países desenvolvidos".

"Nos EUA, no Reino Unido e em outros países ricos, os deficit são cada vez maiores. Nos emergentes, como o Brasil, o crédito apenas cresce e sustenta uma posição sólida na economia global", afirmou.

Roubini também se desculpou por um artigo em seu site que defendia a volta da ditadura ao Brasil para estimular o crescimento econômico. "Foi escrito por um colaborador, não concordei e tiramos do ar. O Brasil se dá bem com a democracia e tenho certeza de que [nas eleições presidenciais] fará uma escolha sólida", declarou.

(Com informações da Reuters)

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