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Recuperação global da crise financeira é frágil e desigual, segundo a Unctad

Stênio Ribeiro, da Agência Brasil

A Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) ratificou a percepção de boa parte dos analistas econômicos mundiais: quem lidera a recuperação da economia global são os mercados emergentes, principalmente da Ásia e da América Latina que, antes da crise, adotaram políticas para evitar grandes déficits externos e para acumular reservas internacionais significativas.

Como resultado, "foram capazes de conter a taxa de desemprego na crise e conseguiram rápida recuperação da demanda interna", de acordo com o secretário-geral da Unctad), Supachai Panitchpakdi. 

Por essas razões, em relatório divulgado hoje (14), os especialistas da Unctad estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) da Ásia deve crescer em torno de 8% neste ano, enquanto o crescimento da América Latina deve ficar ao redor de 5%.

E projetam expansão semelhante também para o Continente Africano, que foi menos afetado pela crise, justamente por ser menos integrados aos mercados financeiros internacionais. 

Apesar do bom desempenho das economias emergentes, a recuperação da economia mundial está se dando de forma "frágil e desigual", de acordo com relatório da Unctad.

Frágil porque existe o risco de os países mais afetados retirarem os estímulos fiscais adotados para enfrentar a crise, numa tentativa de equilibrar seus orçamentos fiscais, principalmente na Europa Ocidental.

Possibilidade que "pode levar a uma segunda recessão", sem resolver o problema fiscal e com queda das receitas, de acordo com o alerta do secretário-geral da Unctad.

Supachai Panitchpakdi disse, na apresentação do relatório, que existe também o risco de "os desequilíbrios globais que contribuíram para a crise financeira não serem corrigidos", em razão da falta de coerência da política macroeconômica entre as principais economias do mundo.

O secretário mencionou que, ao contrário, a recuperação tem sido fraca nas economias em transição da Europa.

Segundo ele, antes da crise, alguns países tinham grandes déficits em conta-corrente e dependiam de entradas líquidas de capital, o que tem sido agravado por políticas macroeconômicas restritivas, muitas vezes em programas liderados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nos países desenvolvidos, assim como em algumas economias emergentes, lembrou ele, grandes "pacotes de resgate" impediram o colapso do sistema financeiro, ao mesmo tempo em que políticas fiscais e monetárias de suporte compensaram a lenta demanda privada.

Com isso, conseguiram taxas positivas de crescimento, mas "o padrão de recuperação é semelhante ao do crescimento desequilibrado da demanda global antes da crise", sentenciou Panitchpakdi.

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