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Mercado aposta em mais altas dos juros no ano

Da Redação e da Reuters

Em São Paulo

Analistas de mercado acreditam que a taxa básica de juros (a Selic) subirá mais ainda este ano. Nesta quarta-feira (19), o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu elevar a Selic para 11,25% ao ano.

Para Octavio der Barros, economista-chefe do Bradesco, o BC deverá promover mais dois aumentos de 0,5 percentual ainda este ano.

"É bem verdade que o aperto monetário será tanto menor quanto maior for o ajuste fiscal promovido pelo governo. O que interessa na última linha é a contenção da demanda. Da mesma forma, consideramos que novas medidas prudenciais poderão ser implementadas complementarmente ao aperto de juros", afirma.

Já Cristiano Souza, economista do Santander Brasil, aposta em mais quatro altas nos juros. "[A elevação de hoje] é o primeiro passo de um ciclo de ajuste, dentro de um cenário de piora da inflação. Passa mensagem de que é uma mudança de ciclo. Nós prevemos mais três altas de 0,5 ponto percentual e outra de 0,25 ponto. A taxa deve chegar a 13%."

Para Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros, a decisão de subir a Selic foi equivocada. "Esse aumento é mesmo para poder colocar um freio na demanda. As demais medidas, como o aumento do compulsório, têm um efeito mais imediato. A Selic, por outro lado, tem um impacto mais demorado, mas em compensação o efeito psicológico é maior. O consumidor fica sabendo que o juro vai subir e já fica mais cauteloso", diz.

"Quanto ao dólar, esse aumento do juro deve reforçar o fluxo de dinheiro para cá, o que tende a fazer a moeda cair", afirma Vieira.

Em comunicado, o Copom afirmou que o aumento dá "início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas".

"O que mais chamou a atenção no comunicado foi a referência que ele fez às medidas macroprudenciais. Isso é importante porque até então os comunicados que nós vínhamos tendo falavam que o único instrumento de ajuste da política monetária era a taxa de juros. Daí, não dá para descartar a adoção de mais medidas macroprudenciais",  afirma Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Safra de Investimentos.

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