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Inflação pode aumentar e ameaçar economia em 2011, diz estudo

Maurício Savarese

Do UOL Notícias, em Brasília

Apesar das medidas de restrição ao crédito tomadas pelo governo para conter a inflação, os preços podem subir ainda mais no comércio e no setor de serviços neste ano, de acordo com um documento divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, vinculado ao Palácio do Planalto).

Pressões inflacionárias vindas do setor de serviços, devido à escassez de mão-de-obra, e incertezas internacionais, em especial relacionadas à recuperação do Japão pós-tsunami, também compõem um cenário menos favorável do que o do ano passado.

Em uma "carta de conjuntura", o instituto afirma que nos últimos meses houve uma alta dos preços no atacado acima dos números no varejo, o que "suscita dúvidas sobre o comportamento da inflação para os próximos meses, dado a incerteza sobre o grau de repasse entre estes preços".

Comida mais cara

Nos primeiros três meses de 2011, os produtos agrícolas no atacado subiram 5,7% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o principal índice inflacionário do país). Já o grupo alimentação e bebidas avançou menos: 2,4% no mesmo período.

"Mesmo que os alimentos no atacado desacelerem nos próximos meses, como esperado, esta queda pode não ser observada na mesma magnitude no varejo, uma vez que ainda pode haver espaço parao repasse de preços para o consumidor", diz o texto, que também vê uma "preocupante" pressão no ramo de serviços, por conta da escassez de mão-de-obra.

"A inflação desses preços tende a apresentar um alto grau de inércia. Isto significa dizer que uma eventual desaceleração da atividade econômica em 2011 não irá arrefecer de forma significativa a inflação deste setor", diz o Ipea.

Dilma está preocupada

O documento diz ainda que o ambiente inflacionário brasileiro, principal preocupação econômica da presidente Dilma Rousseff, "ainda se mostra bastante vulnerável".

No primeiro trimestre de sua gestão houve aceleração dos índices de preços na economia brasileira. Analistas do mercado vêem riscos de extrapolar a meta de inflação para o ano, fixada em 6,5%. Esse indicador para os últimos 12 meses ficou em 6,3% em março – o que levou membros do ministério a, nos bastidores, defender uma flexibilização da meta.

"Ao longo do ano, porém, tendo em vista o baixo carregamento estatístico para 2011 e a preocupação das autoridades monetárias com a evolução dos níveis de preços, é provável que a economia apresente uma trajetória mais suave do que a observada no ano passado, podendo, inclusive, alcançar um resultado abaixo do seu crescimento potencial", diz o Ipea. O carregamento estatístico se refere ao crescimento acelerado de 2010, que estimula o deste ano.

Cortes do governo não devem segurar inflação

Recentemente o governo anunciou cortes orçamentários de R$ 50 bilhões, elevou as taxas de juros duas vezes consecutivas em 0,5 ponto percentual e restringiu o crédito por meio de medidas paralelas, como o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Ainda assim, o Ipea espera que a inflação em 12 meses continue a se expandir ao longo dos próximos meses. O instituto disse ainda que "a expectativa de que o ritmo de crescimento da demanda interna, particularmente do consumo das famílias, sofra rápida desaceleração ainda não foi corroborada".

"Apesar das medidas implementadas pelo governo em meados de dezembro último, visando conter a liquidez interna e frear o ritmo de crescimento das concessões de crédito, o comércio varejista continua demonstrando vigor no começo do ano. Muito embora o encarecimento do crédito, acompanhado do encurtamento dos prazos, possa ter afetado alguns setores, como foi o caso das vendas de veículos em janeiro, os níveis de confiança dos agentes ainda se encontram em patamares elevados, mantendo, dessa forma, os estímulos ao consumo", afirma o texto.

Brics continuam liderando crescimento

O Ipea afirma que os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China, principais economias emergentes) "continuarão liderando o crescimento mundial", em meio a um cenário de recuperação dos Estados Unidos e dos países europeus após a crise detonada em 2008.

"No entanto, esse cenário poderia ser negativamente afetado pelos possíveis efeitos da crise no Japão, cujos desdobramentos ainda são incertos", diz o texto, referindo-se ao terremoto que matou pelo menos 13 mil pessoas, deixou outras 15 mil desaparecidas e gerou uma crise nuclear na usina de Fukushima, no nordeste do país.

"Em decorrência dos desastres naturais que assolaram o Japão nos últimos meses, as exportações brasileiras para este país devem, num primeiro momento, sofrer um impacto negativo de difícil mensuração, mas podem ganhar impulso renovado num futuro próximo, em função dos esforços de reconstrução nacional", afirma o estudo.

O país asiático recebeu em 2010 cerca de US$ 7,14 bilhões em exportações brasileiras, valor 67,2% superior ao observado em 2009. As indústrias de produtos básicos, como minério de ferro e frango, serão as mais afetadas, segundo o instituto.

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