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Exportação de cachaça cai 22,5% no ano, com crise nos países ricos

Karina Lignelli

Especial para o UOL Economia

03/06/2011 12h00

Apesar de premiada no exterior recentemente, a cachaça brasileira enfrenta queda nas exportações, já que alguns dos grandes “bebedores” do produto ainda se recuperam da crise mundial que começou no fim de 2008.

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento mostra que as exportações totais da bebida caíram 22,5% no primeiro quadrimestre (janeiro a abril) deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Neste ano, foram exportados 2,39 milhões de litros, enquanto em igual intervalo do ano passado foram 3,09 milhões.

A queda nos primeiros quadrimestres vem acontecendo há três anos anos seguidos, desde 2008. Comparada a 2008 a queda agora é de 38%. De janeiro a abril de 2008, foram exportados 3,87 milhões de litros.

Alemães e americanos, os maiores apreciadores da caninha brasileira, são os que estão bebendo menos. No caso da Alemanha, foram comprados 376,3 mil litros até abril, frente a 1,45 milhão de 2008. O recuo foi alto, de 74%.

Para os Estados Unidos apenas 151,3 mil litros foram exportados, contra 527,9 mil no mesmo período de 2008, uma queda de 71%.

A queda no volume total também gerou menos receita para os exportadores brasileiros. Nos quatro primeiros meses do ano, as vendas totais chegaram a U$$ 4,15 milhões, ou 24% a menos na comparação com o mesmo período de 2008, quando o total foi de US$ 5,49 milhões.

Indústria ainda espera recuperação neste ano

Apesar da queda no primeiro quadrimestre, empresários do setor se mantêm otimistas e projetam crescimento no final deste ano. A diretora de marketing e exportação da Pirassununga, Carolina de Tommaso Harley, diz que uma "mistura de fatores" causou o recuo agora, mas prevê resultados positivos para a empresa. Ela diz que a marca planeja superar o crescimento de 2010, mas sem revelar números.

A diretora de exportação da Ypióca, Heloisa Telles, culpa a crise global pelo recuo nas vendas em alguns mercados. "Tivemos queda em volume nos países mais afetados. No entanto, o desempenho positivo de outros (mercados) compensou a queda no resultado final. O crescimento das nossas exportações de janeiro a abril deste ano em relação ao mesmo período do ano passado se deu principalmente em função de um aumento nas exportações para a Europa, liderado pela França. A meta da empresa para todo este ano é crescer no mínimo 30%."

Revista especializada dá prêmio para cachaça brasileira

O mercado de cachaça brasileira no exterior se mantém em evidência a despeito de crise ou queda nas importações. Pelo menos para os apreciadores.

Em abril, a revista britânica "The Spirits Business", a mais importante do segmento de destilados (“spirits”, em inglês) ou bebidas “quentes”, enalteceu a cachaça brasileira, além de apresentar as ganhadoras do Cachaça Masters 2011, como a Cambraia, da Pirassununga, na categoria Degustação e Embalagem, e a Ypióca 160, que levou o Masters de melhor cachaça.

No caso da Ypióca, as cachaças são envelhecidas em barris de madeira, bálsamo, freijó e carvalho num período que varia de 1 a 6 anos.

A Cambraia, um blend de cachaças de alambique criado pela Pirassununga e elaborada apenas com o "corpo" (a parte mais nobre da destilação de alambique), é envelhecida em barris de carvalho francês e definida como premium (Cambraia 1 ano) e extra premium (Cambraia 3 anos).  

Para promover a degustação de cachaça, na primeira semana de maio passado 13 bares de São Paulo participaram do Conexão Cambraia, um evento em cada bar apresentou um drink inédito à base da bebida.