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Governo anuncia economia extra de R$ 10 bi para enfrentar crise

Maurício Savarese

Do UOL Economia, em Brasília

2011-08-29T13:08:12

29/08/2011 13h08

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou aumento da meta de superavit primário para este ano. Superavit primário é quanto o governo consegue economizar para pagar sua dívida. A meta de economia neste ano para a União foi aumentada em R$ 10 bilhões, disse o ministro. A meta da União até então era de R$ 81,7 bilhões e passou agora para R$ 91,7 bilhões.

A medida foi adotada em razão da crise econômico-financeira global e dos efeitos que ela pode ter sobre a economia brasileira.

"Temos no horizonte uma recessão nesses países [desenvolvidos]. Por mais que países emergentes como o Brasil estejam preparados para essa situação, não somos imunes às consequências desse cenário recessivo. A economia mundial nos próximos dois anos vai crescer menos."

Mantega disse que os programas sociais e prioritários do governo não serão atingidos.

Com mais economia, juros podem subir menos, diz Mantega

O ministro disse que o aumento da economia também permitirá que os juros caiam. "Abre espaço para queda da taxa de juros,  quando o Banco Central entender que é possível."

A taxa básica de juros (Selic) é definida pelo BC. Na quarta-feira desta semana, o BC definirá a taxa para os próximos 45 dias. Hoje a taxa está em 12,5% ao ano.

"Isso [reduzir juros] não significa descuidar da inflação. É uma preocupação permanente do governo. No curto, médio e longo prazos, essa atitude de fortalecer nossa situação fiscal visa abrir espaço para redução de juros. Quando isso acontecer, nosso gasto [menor] com juros permitirá aumentar os gastos com investimento. Mas esse é um projeto de médio e longo prazos", declarou Mantega.

Incentivos para a indústria foram anunciados no começo do mês

No começo deste mês, o governo anunciou um outro pacote contra os efeitos da crise. Foi um conjunto de incentivos para a indústria, chamado de Brasil Maior, com objetivo de reduzir custos da produção das empresas em R$ 25 bilhões no próximos dois anos. As medidas incluíram a isenção da alíquota de 20% do INSS de setores afetados pela queda do dólar, como confecções, calçados, móveis e softwares.

Outras mudanças anunciadas no começo do mês foram a criação de um fundo de financiamento à exportação, um projeto-piloto para desonerar a folha de pagamentos em setores com mão de obra intensiva, além de um regime tributário especial para o setor automotivo.

O governo também havia anunciado que pretende elevar a taxa de investimento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 18,4% em 2010 para 22,4% ao final do plano de política industrial.

Em julho, governo criou taxa contra a queda excessiva do dólar

Antes, no fim de julho, o governo adotou outras medidas para tentar conter a queda do dólar. Foi criada uma taxa de 1% sobre as operações de derivativos cambiais feitas por investidores brasileiros e estrangeiros no país. Mas, se for necessário, o governo pode aumentar essa taxa até 25%.

Todas as operações realizadas entre empresas (chamadas de balcão, quando nenhuma autoridade é informada) terão de ser registradas em órgãos oficiais. Os derivativos cambiais considerados especulativos vão pagar imposto de 1% imediatamente. Esse imposto pode subir até 25% se as medidas não adiantarem.

Segundo analistas, as medidas para tentar segurar a queda do dólar vão atuar sobre o mercado futuro, com o objetivo de diminuir a especulação dos investidores.

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