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Empreendedorismo: Veja como usar a experiência no emprego para virar patrão

Afonso Ferreira

Do UOL, Em São Paulo

2012-03-12T07:00:00

2018-09-07T17:40:25

12/03/2012 07h00

Aproveitar a experiência do atual emprego pode ajudar os que têm espírito empreendedor a desenvolver o modelo de negócio próprio, mas não têm conhecimento de mercado. Especialistas consultados pelo UOL afirmam que estar atento à rotina e aos procedimentos da empresa é um excelente aprendizado para futuros empresários.

Grandes e médias empresas, geralmente, possuem setores e procedimentos administrativos mais estruturados e organizados. Muitos desses processos podem ser fontes de inspiração para o futuro empreendedor, que deve ter a capacidade de adaptar a lógica da grande empresa ao negócio que deseja abrir.

Mesmo quem trabalha em um pequeno negócio pode tirar proveito da experiência para ter ideias de como abrir e gerenciar uma empresa. Antes de fundar a rede China in Box, o proprietário Robinson Shiba trabalhou em restaurantes lavando pratos e entregando pizzas. Foi quando teve a inspiração para montar seu próprio negócio.

Segundo o professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper (Instituto de Pesquisa e Ensino), Marcelo Nakagawa, a observação é uma das principais características de um empresário de sucesso. Ele deve prestar atenção em cada detalhe da empresa, desde o cartão de visita até a relação com clientes e fornecedores. “Todo grande empreendedor é um grande observador, é uma pessoa que aprende com facilidade e sabe analisar cada situação”, afirma.

Buscar informações sobre o funcionamento da empresa também é uma etapa importante para quem quer administrar o próprio negócio. Para isso, o empreendedor tem de manter contato com pessoas de todas as áreas, desde a parte operacional até a administrativa e financeira, para entender a dinâmica entre elas e a importância que têm para o negócio.

Como nas grandes empresas o acesso às pessoas dos cargos executivos é menor, a alternativa é consultar o máximo de material de livre acesso disponibilizado pela empresa, como manuais de conduta, e até mesmo conversar com o encarregado imediato, que, na maioria dos casos, também acumula funções administrativas. “O empresário precisa saber como planejar e vender seu produto”, diz Nakagawa.

Identificar falhas e pensar em melhorias

É comum funcionários identificarem falhas na rotina de suas empresas. O empreendedor não apenas deve perceber esses problemas, mas pensar em medidas para solucionar a questão. Às vezes, da solução para um processo pode surgir uma oportunidade de negócio.

Foi o que motivou o professor de inglês paranaense Fabio Ivatiuk a abrir uma unidade da franquia InFlux English School em Irati (PR), sua cidade natal. Ele lecionou em várias escolas de idiomas de Curitiba (PR). 

Na sua experiência como professor em diversas escolas, notou um certo distanciamento entre funcionários e alunos, algo que prejudicava o negócio. “Até os próprios professores não se relacionavam bem entre si. Pensava que se um dia fosse o dono, faria diferente.”

Em apenas 14 meses de atuação, a escola administrada por Ivatiuk alcançou a marca de 220 alunos matriculados e há quatro meses inaugurou sua segunda unidade franqueada, em Ponta Grossa (PR).

Na opinião do diretor de educação e pesquisa da Endeavor, organização sem fins lucrativos de apoio ao empreendedorismo, Juliano Seabra, colocar-se no lugar do patrão ou do cliente ajuda a encontrar melhorias para as falhas na empresa. “É interessante o empresário pensar ‘se eu tivesse de resolver o problema agora, o que eu faria?’. A solução está na mão dele”, declara.

Além de imaginar uma forma de eliminar o problema, a alternativa precisa ser aplicável. Caso o custo para implantá-la seja muito elevado ou o processo de implantação longo, a ideia tende a permanecer apenas no papel. “Tem muita gente com soluções na cabeça, mas que não consegue implantar”, afirma o diretor de educação e pesquisa da Endeavor.

Seabra diz que, no momento de sair da empresa, é importante o empreendedor deixar claros os seus planos. Agir de forma ética pode fazer com que o antigo patrão se torne um parceiro ou até mesmo um cliente no novo negócio. “Em uma conversa franca, deve-se agradecer pelo aprendizado e explicar que não houve roubo de informação.”

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