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Política do governo deve reduzir comércio de veículos importados em 40% este ano

Fernanda Cruz

Da Agência Brasil, em São Paulo

A decisão do governo federal de elevar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados de países não pertencentes ao Mercosul em 30 pontos percentuais, em vigor desde dezembro do ano passado, já produz resultados. A estimativa é que haja queda de 40% na comercialização de automóveis desse segmento em 2012.

A projeção negativa foi feita nesta terça-feira (10) pelo presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), Flavio Padovan, durante a divulgação do balanço do setor. A redução também está sendo relacionada à alta do dólar. O aumento do IPI foi anunciado em 15 de setembro, mas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a medida precisou cumprir período de 90 dias para vigorar.

Segundo levantamento da Abeiva, no primeiro semestre deste ano, o emplacamento de carros importados no Brasil registrou queda de 21,6%, ante o mesmo período de 2011. A média de vendas caiu de 18.342 no segundo semestre de 2011 para 11.829 no primeiro semestre deste ano.

O impacto sobre os empregos diretos no país, segundo a Abeiva, é de menos 29% no comparativo entre 2011 e 2012, com redução de 10 mil postos de trabalho (35 mil para 25 mil).

"O crescimento de empregos na indústria nacional foi compensada pela perda [de postos de trabalho] na de importados", disse Padovan, referindo-se ao melhor desempenho de vendas dos veículos nacionais, beneficiados pela redução do IPI.

O recolhimento de impostos gerados pela venda de carros importados também poderá sofrer queda de 40%, passando de R$ 6 bilhões para R$ 3,6 bilhões.

Padovan demonstrou preocupação com o cenário, mas disse que ainda espera que o governo traga uma solução até o final do mês. De acordo com ele, o Ministério da Fazenda estuda medidas de auxilio, que podem ir de cotas fixas de veículos importados - sem o aumento do IPI - a isenção do pagamento do imposto.

Embora represente uma fatia pequena do mercado de automóveis no Brasil (no mês de junho, somou apenas 3,3% dos emplacamentos), Padovan defende que a presença dos importados trazem uma competição saudável. "Estabelecemos padrões de tecnologia e inovação, incentivando a indústria nacional a investir", disse.

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