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BC decreta intervenção no BVA após banco não conseguir R$ 1 bilhão

Do UOL, em São Paulo

A intervenção do Banco Central no banco BVA ocorreu porque era necessário um aporte de R$ 1 bilhão para recompor o patrimônio da instituição, mas controladores da instituição não conseguiram negociar a injeção de capital a tempo, afirmou à agência de notícias Reuters uma fonte da equipe econômica do governo, nesta sexta-feira (19).

Segundo a fonte, o banco e a equipe econômica do governo tentaram, sem sucesso, uma "solução de mercado" para o BVA. A solução de mercado seria a compra da instituição por um banco privado.

A intervenção foi decretada porque a instituição financeira possuía "grande problema de subprovisionamento". Isso quer dizer que havia empréstimos e investimentos com riscos maiores do que o dinheiro reservado para cobri-los.

"Com o subprovisionamento, avaliação inadequada de riscos e perdas potenciais, a instituição financeira acabou gerando informações contábeis não-fidedignas, e o Banco Central determinou que fossem feitos os ajustes", informou a fonte da equipe econômica.

Entre os ajustes, citou a fonte, seria necessário reverter um patrimônio negativo de R$ 580 milhões e reenquadrar novamente o patrimônio de referência, totalizando a necessidade de aporte de R$ 1 bilhão.

"Os controladores não conseguiram cumprir a exigência de aporte de capital, buscaram formas junto ao Fundo Garantidor (de Crédito-FGC), mas não foi possível, e o BVA acabou tendo uma deterioração rápida da sua liquidez nas últimas semanas por ter ativos pouco líquidos", informou a fonte. Ativos pouco líquidos são os que não conseguem ser vendidos rapidamente e transformados em dinheiro.

O BC deve nomear em breve um interventor que terá prazo de 60 dias para apresentar um relatório sobre a situação contábil do BVA.

Os rumores sobre a deterioração do banco aumentaram nos últimos dias em função também da falta de uma solução de mercado para a instituição, agravada pelo fato de o banco não ter publicado balanço financeiro desde o começo do ano. Segundo a fonte, o banco registrou prejuízo no primeiro semestre.

Com a decisão desta sexta-feira, sobe para cinco o número de bancos que sofreram intervenção do Banco Central desde 2010.

Controladores terão bens bloqueados

Segundo o BC, o BVA, controlado por José Augusto dos Santos e pelo financista Ivo Lodo, detém 0,17% dos ativos do sistema financeiro nacional e 0,24% dos depósitos. A instituição possui sete agências nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

A intervenção foi decretada pouco depois do anúncio da liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper, em 14 de setembro

Segundo o BC, todos os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis.

Governo está pressionando pela redução de custos

A intervenção do BC acontece em um momento em que o governo está pressionando pela redução de custos de empréstimos e redução de tarifas bancárias. Alguns analistas dizem que bancos de médio porte são os mais prejudicados, já que a pressão pela queda dos juros pesa sobre suas receitas e encoraja práticas de empréstimo mais arriscadas.

Em balanço de 2011 publicado em março, o BVA informa que fechou o ano passado com lucro líquido de R$ 63,2 milhões, queda de 29% sobre o resultado positivo de 2010. Os ativos encerraram o exercício em R$ 6,74 bilhões, alta de 48,8%.

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