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Ex-doméstica vira patroa com fábrica de sacolas ecológicas

Lucineide Nascimento emprega quatro funcionários na fábrica de ecobags instalada em sua casa - Divulgação
Lucineide Nascimento emprega quatro funcionários na fábrica de ecobags instalada em sua casa Imagem: Divulgação

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

30/10/2012 06h00

A ex-empregada doméstica Lucineide Nascimento, 43, encontrou num produto sustentável o caminho para ser dona do próprio negócio. No comando da Edilu Sacolas Ecológicas, ela confecciona ecobags em sua casa na capital paulista. A empresa já conta com dois funcionários registrados e começa a atrair clientes grandes como Bombril, Santander, entre outros. 

Com uma produção de 10 mil sacolas por mês, o negócio ainda precisa de investimentos mensais para se manter e a empresária tem de dividir seu tempo com o trabalho atual de representante comercial para uma fabricante de saboneteiras e cabides de pressão. Mas ela acredita que poderá se dedicar exclusivamente à Edilu a partir de janeiro de 2013.  

A aposta é na venda para clientes grandes para crescer. Para isso, Nascimento tenta convencer outros empresários de que, além de ecológica e sustentável, a iniciativa de oferecer sacolas ecológicas pode ajudar no marketing.

 “Consegui colocar na cabeça dos empresários que as ecobags são uma excelente propaganda. É um brinde sustentável e não será descartado em pouco tempo como uma caneta, por exemplo”, afirma. 

Além de Bombril e Santander, a Edilu já produziu sacolas para a Associação da Agricultura Orgânica e o Centro de Voluntariado do Estado de São Paulo e outros.

A empresa também passou a visitar a sede de seus clientes e a oferecer outros pacotes de serviços que, além das ecobags, incluíam oficina de reciclagem e reaproveitamento de resíduos para os funcionários das empresas. Com isso, as vendas do negócio aumentaram.

Empresária descobriu filão em 2007

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Nascimento teve a ideia do negócio em 2007, quando já não fazia mais serviços domésticos e trabalhava como representante comercial. Ela percorria diariamente lojas populares – as chamadas lojas de R$ 1,99 – para vender as mercadorias. E notou que os clientes compravam sacolas plásticas em grandes quantidades.

Como forma de facilitar o transporte dos produtos e diminuir o uso das sacolas plásticas, a empresária começou a produzir sacolas retornáveis de algodão e vendê-las nas lojas de R$ 1,99. “Na época, sustentabilidade era um tema menos abordado e pouco se falava sobre os danos das sacolas plásticas ao meio ambiente”, afirma.

Inicialmente, a empresária negociava as ecobags a preço de custo, apenas para divulgação da marca. A estratégia deu certo. Aos poucos, surgiram clientes interessados em fazer pedidos.

“Colocava meu telefone nas sacolas e algumas empresas começaram a me procurar para fazer brindes”, diz. Hoje, a Edilu não vende mais ecobags no varejo, sua receita é 100%  obtida com vendas sob encomenda para empresas.

Impasse sobre sacolas em supermercados atrapalha planos

Uma oportunidade em potencial para a empresária aumentar o faturamento é a comercialização das ecobags em supermercados. No entanto, a queda de braço entre MP (Ministério Público) e Apas (Associação Paulista de Supermercados) sobre a proibição das sacolas plásticas nestes estabelecimentos atrapalha os planos do negócio.

Por enquanto, os supermercados paulistas mantêm a distribuição gratuita das sacolas plásticas, mas a Apas tenta acordos para reduzir o consumo. A empreendedora aguarda o fim do impasse para explorar o novo nicho de mercado.

“Tenho algumas ideias, mas, primeiro, é preciso que eles [MP e Apas] decidam como vai ficar a situação. É de pleno interesse da empresa entrar neste mercado”, diz.

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