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Empresária exporta colar e anel de chifres de boi do Pantanal para Europa e EUA

As sócias Isabel Muxfeldt e Verhuska Pereira criam biojoias com chifre bovino lapidado - Divulgação
As sócias Isabel Muxfeldt e Verhuska Pereira criam biojoias com chifre bovino lapidado Imagem: Divulgação

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

10/12/2012 06h00

Dos chifres do boi, a empresária Isabel Muxfeldt, 52, tira a matéria-prima do seu negócio. O material lapidado dá origem aos colares, pulseiras, brincos e anéis da empresa Joias do Pantanal, em Campo Grande (MS). As peças preservam as características regionais e já são exportadas para Portugal e Estados Unidos.

Os chifres bovinos são obtidos em frigoríficos. A mão de obra, que dá ao produto as características pantaneiras, vem de artesãos locais, parceiros da iniciativa. São os chamados cortadores -- especializados em trabalhar com chifre bovino -- que fazem a lapidação e o polimento do material com uma técnica típica da região, sem uso de produtos químicos.

Em seguida, os acessórios são montados e, alguns, ganham detalhes em aço inox e folheado a ouro. No total, a empresa produz mil peças por mês. “O chifre bovino tem tons únicos. É como uma digital humana, cada peça é diferente da outra. Cada biojoia acaba sendo única”, afirma.


A técnica para a confecção de biojoias com chifres de boi já existia na região do Pantanal. No entanto, de forma artesanal e sem uma produção contínua. Muxfeldt percebeu, então, que poderia transformar a prática em negócio.

“Gosto de artesanato desde criança, mas nunca o vi como um hobby. Sempre quis trabalhá-lo como negócio”, declara. O custo das peças varia de R$ 19 a R$ 250. Os produtos podem ser adquiridos pela loja virtual da empresa, por meio de revendedoras, atacado e exportação via correio.

Convencer parceiros foi dificuldade inicial

Começar o negócio, em 2002, exigiu paciência e criatividade por parte da empresária. A maior dificuldade enfrentada, segundo Muxfeldt, foi convencer os cortadores a trabalharem em parceria com ela.

Acostumados a fazer berrantes e guampas de tereré – recipiente utilizado para tomar uma espécie de “chimarrão gelado” --, os cortadores ficaram desconfiados com a proposta para fazerem acessórios femininos. “Foi um choque para eles. Era algo muito diferente do mundo deles”, diz.

Na base da conversa, a empreendedora conseguiu demonstrar a seriedade do projeto. A grande “cartada” foi quando propôs a um cortador que lapidasse um brinco para ela. Em troca, a empresária o daria à esposa do cortador. A estratégia funcionou.

“A partir do momento em que a mulher dele gostou, ele viu que o produto poderia ter a aceitação de outras mulheres também”, afirma. No início, Muxfeldt desenhava, montava e vendia as peças. A lapidação ficava por conta do cortador. Hoje, a Joias do Pantanal conta com nove colaboradores, incluindo a empresária e sua sócia, Verhuska Pereira, 40.

Premiações reconhecem modelo de negócio

A empresa começou a crescer a partir de 2007, quando passou a ser incubada no Interp, incubadora de negócios da Fundação Manoel de Barros, e procurou auxílio do Sebrae-MS, entidade de apoio à micro e pequena empresa.

No mesmo ano, a empresária venceu a etapa estadual do Prêmio Mulher Empreendedora, do Sebrae, e foi finalista na etapa nacional. Em 2010, ela foi uma das três finalistas brasileiras do “Women in Business Award” (Prêmio Mulheres de Negócios), organizado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento.

“O pequeno [empresário] tem de concorrer e acreditar. As premiações nos colocaram no cenário nacional”, declara.

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