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Saiba detectar oportunidades para deixar de ser empregado e virar consultor

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

13/12/2012 06h00

Virar consultor tem sido um caminho frequente para executivos experientes que desejam empreender, ou mesmo para profissionais de áreas técnicas. O mercado em expansão e os altos rendimentos são atrativos da atividade. Segundo estudo do IBCO (Instituto Brasileiro de Consultores de Organização) com 152 consultores de todo o país, 79% deles afirmam ter faturamento anual de até R$ 500 mil. Outros 21% faturam mais.

Conhecimento técnico, experiência, habilidade de compreender e solucionar problemas e networking são pré-requisitos essenciais para quem almeja se tornar um consultor.

De acordo com o gerente de acesso a mercados do Sebrae Nacional, Paulo Alvim, a competição acirrada entre empresas no mercado aumenta a demanda por serviços de consultoria. Cada empresário com problemas é uma possibilidade de negócio. “É um mercado diverso pela quantidade de empresas demandantes e pelas possibilidades de problemas a serem resolvidos”, diz.

No entanto, o consultor precisa estar antenado e em constante renovação de seus métodos. Uma solução nova é rapidamente copiada e quem parar no tempo corre o risco de perder a preferência dos clientes. “É uma atividade que não se forma na escola, forma-se com a prática no mercado”, afirma Alvim.

Oportunidade pode surgir quando empreendedor ainda é empregado

Segundo o gerente do Sebrae Nacional, o olhar aguçado ajuda a identificar oportunidades para uma consultoria. Enquanto estiver em seu emprego fixo, o profissional deve estar atento a problemas que demandam especialistas externos e soluções diferentes. 

PRÉ-REQUISITOS PARA SE TORNAR UM CONSULTOR

Conhecimento técnico
Habilidade para diagnosticar problemas
Criatividade para propor soluções
Capacidade de influenciar empresários e funcionários
Estar atualizado sobre temas de interesse para a área de atuação
Saber dividir tempo para atender clientes e fazer networking
Manter postura ética diante de impaciência ou discordância por parte do cliente

Outro indicador é quando determinados serviços começam a ser exigidos com mais frequência dentro da empresa em que o profissional está. Foi dessa forma que o engenheiro Gustavo Cassiolato, 28, virou consultor.

Enquanto trabalhava em uma indústria de cabos de aço e correntes para amarração de cargas, Cassiolato começou a ministrar palestras e minicursos sobre segurança na movimentação de cargas. “Notei que o mercado era carente na área de consultoria e treinamento. Havia muitos acidentes por falta de capacitação”, declara.

Inicialmente, o serviço era uma função acumulada e não tinha custos para os clientes. Mas, quando alguns deles começaram a pedir notas fiscais, o engenheiro percebeu que ali havia uma oportunidade de negócio. Em 2006, ele abriu a Rigging Brasil para prestar consultoria na área de amarração e elevação de cargas. Hoje, entre seus clientes estão grandes empresas, como Vale e Votorantim.

Networking é fundamental para conseguir clientes

Já no caso do consultor em gestão financeira Ricardo dos Anjos, 39, a oportunidade surgiu ao sair de uma multinacional, em 2007, na qual trabalhou por 15 anos. Para ajudá-lo, alguns colegas da empresa o indicaram como consultor para amigos e parentes empreendedores. Dos Anjos recebeu alguns pedidos e começou a prestar o serviço.

DICAS PARA IDENTIFICAR OPORTUNIDADES NA SUA ÁREA

Fique atento a problemas que demandam especialistas externos e soluções diferentes
Observe serviços que começam a ser exigidos com mais frequência dentro da empresa
Mantenha contato frequente com pessoas dentro da sua especialidade
Participe de palestras e debates sobre tendências na sua área de atuação

Ao final de cada trabalho, ele sempre pedia para que os empresários o indicassem para outros amigos. A rede de contatos ganhou volume e a demanda por consultoria aumentou. “Percebi que havia um mercado muito grande e comecei a vender o meu serviço”, afirma.

O networking foi fundamental para Dos Anjos. Segundo ele, quem não souber valorizar e vender o próprio serviço corre o risco de fracassar. “Costumo dizer que trabalho de segunda à quinta-feira. Na sexta-feira, faço contatos para garantir que não ficarei sem renda quando os trabalhos atuais chegarem ao fim”, diz.

Virar consultor após demissão é arriscado

Tornar-se consultor como uma tentativa de recolocação no mercado é uma possibilidade. Mas, de acordo com o presidente do IBCO, Christian Welsh Miguens, a melhor decisão é aquela que vem com planejamento. O risco de uma consultoria montada às pressas é a falta de clientes e de faturamento.

Segundo Miguens, há alguns amadores que desconhecem a atividade e cobram preços abaixo do mercado. O serviço de má qualidade prejudica a imagem dos profissionais. “Muitos executivos, quando perdem o emprego, a primeira coisa que fazem é imprimir um cartão de visitas com a palavra consultor”, declara.