PUBLICIDADE
IPCA
+0,31 Abr.2021
Topo

Confecção lucra com venda de retalhos; veja vantagens da gestão ambiental

Edson Silva vende os retalhos de sua confecção que servem para limpeza em centro automotivo - Divulgação
Edson Silva vende os retalhos de sua confecção que servem para limpeza em centro automotivo Imagem: Divulgação

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

19/12/2012 06h00

Em vez de descartar os resíduos sólidos, empresas descobriram que é possível lucrar com eles. Algumas já identificaram essa oportunidade que, além de complementar os rendimentos do negócio, evita o desperdício. É o caso da confecção Saint Pepper, do empreendedor Edson Silva. Os retalhos de tecidos são vendidos para um centro automotivo, que os usa para limpeza de peças.

Antes, o que sobrava da produção era misturado ao lixo comum, sem nenhum processo de gestão, e recolhido pela prefeitura. Até que Silva percebeu que podia vendê-los. Para a confecção, o valor da venda dos retalhos ainda é pouco significativo, mas o objetivo é que o montante passe a representar mais no faturamento da empresa no longo prazo.

“Sempre tivemos interesse em dar a destinação adequada aos resíduos, mas não tínhamos um profissional responsável por isso. Para nós, é interessante não só pelo fato de ganharmos dinheiro com o que ia para o lixo e, sim, por saber que o resíduo está sendo útil para outra empresa”, diz Silva.

Julio Cesar Leite Nuñez, proprietário do centro automotivo que comprou os retalhos da Saint Pepper, diz que a economia foi de 150% a 200%, em comparação com a compra de flanelas novas. “Usamos muito pano para limpar peças, óleo que pinga, e mesmo as mãos. Para nós, foi um bom negócio, pois proporcionou economia”, declara.

Gestão ambiental não é obrigatória para MPE

O acordo entre as duas empresas foi fechado por meio de uma plataforma online, a B2Blue, que permite que pequenas empresas anunciem seus resíduos sólidos -- tecidos, plásticos, madeiras, pneus, metais e até eletrônicos – para outras empresas interessadas em utilizarem esses materiais em seu processo produtivo.

A ideia do negócio é da gestora ambiental Mayura Okura, 26, que viu a dificuldade das micro e pequenas empresas em darem a destinação adequada a seus resíduos.

“As grandes empresas têm uma estrutura de gestão ambiental que permite a elas dar o destino correto, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Já as pequenas empresas não fazem a gestão e, assim, não conseguem visualizar o potencial dos seus resíduos”, declara Okura.

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), as micro e pequenas empresas que gerem apenas resíduos sólidos domiciliares ou em quantidades que sejam consideradas equivalentes às residenciais, de acordo com a legislação de cada município, estão dispensadas de apresentar o plano de gerenciamento de resíduos sólidos.

A coleta e o transporte de resíduos domiciliares, públicos e de pequeno comércio são de responsabilidade da prefeitura. Camila Volpi Wagner, advogada especializada em direito ambiental do escritório GDO Advogados, explica que o plano de gerenciamento é obrigatório para resíduos de serviço de saúde, da construção civil e de transporte.

Vantagens estimulam pequenos empreendedores que querem gerir seus resíduos

Investir em um sistema de gestão ambiental (SGA) pode trazer benefícios -- inclusive financeiros -- em longo prazo. Com o SGA é possível economizar matéria-prima, aumentar a eficiência da produção e diminuir a geração de resíduos, dando uma destinação adequada, que não agrida o ambiente, ou que até gere lucros, como no caso da venda.

Além de melhorar a reputação da empresa, ela se torna mais competitiva do ponto de vista comercial, pois diminui o risco de multas por descumprimento da legislação ambiental e aumenta as chances de obtenção de crédito, por exemplo, explica Andrea de Menezes Carrasco, advogada especializada em direito ambiental do escritório Dannemann Siemsen.

"Um dos grandes objetivos da PNRS é o incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental. Entre as medidas de estímulo do governo estão a concessão de incentivos fiscais, de crédito e financeiros, cessão de terrenos públicos e a fixação de metas de sustentabilidade para contratações públicas. Com o aumento da conscientização e esses estímulos, já há um movimento de implantação de SGA nas pequenas empresas", afirma.