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Após "De Pernas pro Ar", sobe número de vendedoras de produto erótico

Thais Plaza ensina novas consultoras a apresentar e a vender produtos eróticos - Andrei Marsiglia
Thais Plaza ensina novas consultoras a apresentar e a vender produtos eróticos Imagem: Andrei Marsiglia

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

21/03/2013 06h00

Depois do lançamento do filme "De Pernas pro Ar", sucesso de bilheteria em 2011, mais profissionais resolveram investir no mercado de venda direta de produtos eróticos no Brasil. O volume de consultoras passou de 60 mil, em 2010, para 85 mil, em 2011, uma alta de 42%. Os dados são da Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual).

No filme, Alice, personagem da atriz Ingrid Guimarães, é dona de um sex shop que realiza reuniões para apresentar produtos eróticos e alavanca as vendas da empresa, transformando-a em uma rede.

Segundo a publicitária Thais Plaza, 33, que já foi consultora e hoje é responsável por treinar essas vendedoras domiciliares, assim como no filme, o mercado de venda domiciliar vem crescendo e se mostrando um negócio bastante rentável.

Plaza é dona da empresa Doce Sensualidade que, além de treinamentos, oferece cursos de artes sensuais, como massagem e pompoarismo.

Ela diz que reuniões em academias, salões de beleza e até mesmo em encontro de casais de igrejas são boas oportunidades para fechar vendas. E que o perfil das consultoras de produtos eróticos é variado.

“Há mulheres que já fazem venda direta de produtos de catálogo, como cosméticos, e há aquelas que são consumidoras dos produtos e querem trabalhar com isso por ter afinidade com o mercado.”

Nos treinamentos, Plaza explica que as consultoras ajudam a melhorar não só a vida sexual dos clientes, mas também sua saúde e bem-estar.

“Relacionar a sexualidade à saúde aumenta a área de atuação. Temos consultoras religiosas, que levam os produtos para suas igrejas. Claro que a variedade de produtos levada para esses locais não é tão grande, mas é possível vender lubrificante e gel térmico, por exemplo”, afirma.

A renda média de uma consultora de produtos eróticos fica entre um e dois salários mínimos, segundo a Abeme.

Vendas domiciliares e pela internet oferecem privacidade

De acordo com a Abeme, as vendedoras domiciliares e a internet são as principais responsáveis pela venda de produtos eróticos no Brasil.

O mercado está em alta após o filme, que ganhou uma sequência em 2012, e ao livro “50 tons de cinza”, que mostra um romance recheado de elementos fetichistas e fez crescer a procura por estes produtos.

Para Paula Aguiar, presidente da Abeme, o mercado erótico nunca esteve tão em alta. “As pessoas estão mais abertas para este assunto. Acreditamos que o crescimento do setor vai continuar pelos próximos cinco anos”, afirma.

Apesar de, aos poucos, o consumo de produtos eróticos estar deixando de ser relacionado a algo imoral, os consumidores ainda prezam pela privacidade. Por isso, as consultoras e a internet são os principais canais de venda.

“Na internet, é possível buscar o melhor preço e a rede oferece uma abrangência nacional. Com as vendedoras domiciliares, os clientes podem tirar dúvidas sobre produtos, saber como funcionam. Esse é o diferencial da venda consultiva e treinamento é fundamental”, declara Aguiar.

A expansão do mercado erótico também vem despertando o interesse das micros e pequenas empresas. Pela primeira vez, o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) estará presente na Erotika Fair, feira do setor que ocorre de 4 a 7 de abril em São Paulo, oferecendo consultoria aos empreendedores da área.

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