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Mortalidade de empresas brasileiras é menor do que em países europeus

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo (SP)

De cada cem empresas criadas no Brasil, 24 fecham as portas antes de completar dois anos de atividade. É o que mostra o censo de sobrevivência dos pequenos negócios, divulgado pelo Sebrae Nacional (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) nesta quarta-feira (10).

O índice de empresas brasileiras que não sobrevivem ao segundo ano no mercado é menor do que em países europeus como Espanha (31), Itália (32), Portugal (49) e Holanda (50).

"A sobrevivência de novos negócios no Brasil está num patamar compatível com o seu tamanho e com sua emergência no cenário internacional", afirma o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto.

Economias maduras, como a dos Estados Unidos, Alemanha e França, por exemplo, não forneceram dados para o estudo internacional, feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Por isso, segundo Barretto, não é possível dizer em qual posição do ranking mundial o Brasil está.

"O importante é que nosso índice está em igualdade ao dos países desenvolvidos", declara.

O setor com o melhor desempenho no Brasil é a indústria: 79,9% das novas fábricas ultrapassam os dois anos de atividade. Na sequência vem comércio (77,7%), construção civil (72,5%) e setor de serviços (72,2%).

De acordo com o presidente do Sebrae Nacional, a utilização do Supersimples –regime que reduz impostos e unifica os tributos em um só boleto– e o aumento no nível de escolaridade dos empresários brasileiros favorecem para que as empresas permaneçam mais tempo no mercado.

Além disso, a ascensão de renda da nova classe média fortaleceu o consumo interno, o que abriu novas oportunidades de negócios para as empresas, segundo Barretto.

"Diferentemente do passado, hoje nós temos empreendedores mais jovens, muitos com ensino superior, e que empreendem mais por oportunidade do que por necessidade", diz.

Novo ministério facilita conversas com governo federal

Para o presidente do Sebrae Nacional, a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa pelo governo federal –que tem status de ministério– foi um avanço na política de incentivo ao empreendedorismo no país.

"Com uma porta única de entrada para nossos pedidos, a comunicação com o governo federal tende a ficar mais estreita. Antes, precisávamos nos relacionar com vários ministérios", afirma.

Apesar do cenário favorável, para Barreto ainda há pontos a serem melhorados na legislação. Atividades como a de médicos, advogados e jornalistas poderiam ser incluídas no regime do Supersimples para auxiliar a criação de negócios nestas áreas.

"Há muito a ser feito em relação à tributação no país. A pequena empresa não pode ter medo de crescer porque vai sair do Supersimples e cair em um regime tributário mais complicado", declara.

O censo do Sebrae Nacional analisou dados do cadastro de empresas da Receita Federal, com base nos anos de 2007 a 2010.

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