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Cachaça disputa título de melhor destilado do mundo com vodca, uísque e rum

Camila Neumam

Do UOL, em São Paulo

06/06/2014 06h00

É praticamente uma Copa do Mundo das bebidas destiladas. A cachaça brasileira vai disputar o título de melhor destilado num campeonato internacional com vodcas, uísques, tequilas, conhaques, runs, piscos (aguardentes de uva, peruanas e chilenas), grappas ( também de uva, italianas) e sojus (de arroz, coreanas).

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A disputa vai ser no 15º Spirits Selection, que vai desta sexta-feira (6) a domingo (8) em Florianópolis (SC). Participam mais de 200 rótulos de cachaça entre 720 marcas de destilados de 40 países.

O evento, que  não é aberto ao público, é realizado geralmente na Europa. Veio ao Brasil pela primeira vez por causa da Copa do Mundo e da popularização da cachaça fora do país.

As bebidas serão analisadas por 55 jurados de 35 países, entre os quais Brasil, Alemanha, França, China e Peru. Serão testes cegos, com rótulos tampados.

Vencedor pode exportar para Europa

Os vencedores ganham medalhas de excelência e contratos de distribuição das marcas com redes de supermercados europeias.

Segundo Zoraida Loreto, diretora da Market Press, organizadora do evento no Brasil, a Copa do Mundo trouxe mais visibilidade ao país, o que fez diferença na hora de ser escolhida a sede. No ano passado, o concurso foi em Taiwan, na primeira vez em que foi realizado fora da Europa.

“O concurso atrai compradores de grandes redes de supermercados do mundo que compram as bebidas porque sabem que os europeus preferem produtos certificados”, diz.

Pequenos produtores esperam mais vendas e visibilidade

Cem pequenos produtores, a maioria vinda de Minas Gerais, inscreveram-se no concurso com ajuda do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que pagou a inscrição de 180 euros de cada um.

Segundo Enio Queijada Souza, gerente de Agronegócios do Sebrae Nacional,  o objetivo da participação é dar mais visibilidade aos microempresários do setor.

“A cachaça brasileira vem melhorando a qualidade, o sabor e a penetração nos mercados de restaurantes e de alta gastronomia, o que é muito bom para o aumento do lucro dos pequenos produtores”.

A cachaça Salinas, de Minas Gerais, vai concorrer com sua garrafa mais antiga, a Salinas Tradicional, de 28 anos, que custa em torno de R$ 25.

A bebida é envelhecida em barris de bálsamo, e tem sabor amadeirado.  Segundo Jolimar Scardua, analista de marketing da empresa, é a primeira vez que o alambique participa de um concurso internacional.

“Um concurso como esse acontecer no Brasil é mais um motivo para ficarmos esperançosos com a premiação. A cachaça é o produto do momento porque está mudando a ideia sobre quem consome. Mulheres estão consumindo, e as pessoas estão aprendendo a degustar”, diz Scardua.

A cachaça Pedra Branca, de Paraty (RJ), vai participar do concurso pela primeira vez com os rótulos de cachaças prata e ouro.

A cachaça prata é envelhecida por um ano em tonéis de amendoim, uma madeira típica brasileira, que nada tem a ver com o grão, que confere sabor leve à bebida. A garrafa custa na faixa de R$ 35.

Já a versão ouro é envelhecida um ano e meio em tonéis de carvalho francês, que imprimem um sabor mais amadeirado à cachaça. A garrafa custa, em média, R$ 45.

“Ter uma avaliação feita por uma banca internacional de degustadores profissionais pode projetar seu nome para outras freguesias. Se ganharmos algum prêmio, será importante para a divulgação porque abre portas para outros mercados”, disse Lúcio Gama, proprietário do alambique que produziu 20 mil litros de cachaça no ano passado. 

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