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Após ação por imitar Johnnie Walker, cachaça O Andante mais que dobra venda

Garrafas de uísque Johnnie Walker e da cachaça João Andante, que virou O Andante - Divulgação/Montagem
Garrafas de uísque Johnnie Walker e da cachaça João Andante, que virou O Andante Imagem: Divulgação/Montagem

Aiana Freitas

Do UOL, em São Paulo

17/10/2014 06h00

Um processo sob acusação de imitar a marca de uísque Johnnie Walker pode ter ajudado uma cachaça brasileira a mais que dobrar suas vendas em um ano. A cachaça João Andante (tradução literal de Johnnie Walker) teve de mudar de nome para O Andante, em maio deste ano.

O caso foi noticiado pela imprensa e, depois disso, as vendas do produto aumentaram 130%. A mudança foi feita depois que a empresa mineira perdeu um processo para a Diageo, holding que é dona do uísque escocês.

A Diageo conseguiu, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), a suspensão do registro da marca.

O argumento foi o que de o nome João Andante era uma simples tradução de Jonnhie Walker, e o rótulo da cachaça trazia o desenho de um personagem semelhante ao do uísque.

Repercussão do caso tornou cachaça mais conhecida

A mudança e a repercussão do caso podem ter beneficiando a marca de cachaça, segundo dados da própria empresa.

Entre junho e setembro do ano passado, quando a bebida ainda se chamava João Andante, foram vendidas 5.772 garrafas do produto.

No mesmo período deste ano, quando a mudança já tinha sido feita, após o processo, as vendas chegaram a 13.295 garrafas, ou 130% mais.

"O processo certamente impulsionou o conhecimento do público sobre a marca. Mas também atravancou muito a empresa, porque tirou da gente a oportunidade de darmos passos que só estamos dando hoje", diz Magno Carmo, sócio da O Andante.

Empresa retomou ações de marketing e ampliou distribuição

A cachaça João Andante foi criada em 2008 e a marca foi registrada em 2011. Desde essa época, a Diageo tentava suspender o registro. A empresa saiu vitoriosa em 2013.

Os empresários mineiros chegaram a pensar em recorrer da decisão, mas, em vez disso, optaram por lançar a marca nova.

"Com a suspensão de registro de marca, ficamos sem saber que rumo tomar. Tivemos um ano praticamente perdido, sem planejamento, sem crescimento. As vendas estavam restritas aos empórios que conheciam a marca", diz Carmo.

A troca de nome, afirma ele, fez com que a empresa voltasse a ter liberdade de atuação. A produção foi ampliada e o rótulo já pode ser encontrado, por exemplo, nas lojas do Carrefour. "Hoje somos proativos, vamos atrás de parcerias comerciais, respiramos novos ares."

A empresa também lançou uma nova versão do produto, a O Andante Prata, voltada para a preparação de caipirinha e outros drinks.

Em nota, a Diageo diz que recorreu ao Inpi porque não conseguiu chegar a uma solução amigável para o caso.

A empresa diz que sempre vai "proteger os consumidores de produtores que usem ou registrem indevidamente marcas que possam gerar comparação direta ou parecer reprodução ou cópia". "Essa postura foi e continuará a ser seguida neste caso", diz o comunicado.

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