Sem Dilma, PIB deve melhorar, mas analistas preveem desemprego e impostos

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Ueslei Marcelino/Reuters

Com a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff e a posse definitiva de Michel Temer como presidente, o que acontece na economia neste ano e no próximo?

Especialistas ouvidos pelo UOL dizem que o desemprego continuará em alta, será necessário aumentar impostos e cortar gastos do governo. Do lado positivo, PIB deve subir, dólar, inflação e juros devem baixar.

Foram ouvidos os seguintes analistas: Bruno Lavieri, sócio da 4E consultoria; Luiz Fernando Castelli, economista da GO Associados; Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora e Simão Silber, professor de economia da FEA-USP.

País precisa de aumento de imposto, diz especialista

Para Lavieri, o impeachment não é a solução para os problemas do país, mas era necessário. "Estava claro que a manutenção do governo Dilma ia levar a um caminho pior, pois foram muitas decisões econômicas erradas que levaram a esse ponto."

Segundo ele, o principal problema econômico do país são os gastos do governo. "Temos uma dívida que aos poucos vai se tornando explosiva. Precisa apertar o cinto no curto prazo para recuperar a credibilidade do país, e isso implica aumento de impostos e corte de gastos."

Castelli, da GO Associados, afirma que não basta o ajuste fiscal para resolver a crise, é preciso também aprovar reformas. "Aquelas que não saem do papel: Previdência, trabalhista, tributária, política." 

Veja a seguir previsões sobre setores importantes da economia:

Desemprego

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A taxa de desemprego deve continuar alta nesse ano, segundo os especialistas: 11,4% (para Lavieri e Castelli), 12% (para Silveira) ou 12,5% (segundo Silber).

Castelli, Silber e Lavieri estimam que o desemprego irá subir ainda mais em 2017 (12,3%, 13%, ou 13,2%, respectivamente), mas Silveira vê recuo na taxa já no próximo ano (7%).

Os especialistas afirmam que o emprego é a variável que mais demora para reagir, pois a decisão do empresário em afastar o funcionário tem alto custo para a empresa. "Demora também para subir e, enquanto as vendas não sobem, o empresário paga horas extras e contrata funcionários temporários", diz Silveira.

Inflação

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Todos são unânimes em prever a queda da inflação já neste ano por causa da diminuição da atividade econômica e do poder aquisitivo da população. A inflação medida pelo IPCA deve encerrar 2016 a 7,2% (Silber), 7,3% (Castelli e Silveira) ou 7,4% (Lavieri).

Para 2017, o indicador deve ser ainda menor: 5% (Silber), 5,2%  (Castelli) ou 5,5% (Lavieri e Silveira).

Dólar

Shutterstock
 

O dólar deve fechar 2016 com valor inferior a 2017, acreditam os analistas. A moeda norte-americana deve encerrar 2016 cotada a R$ 3,25 (Castelli), entre R$ 3,25 e R$ 3,30 (Silber) e R$ 3,40 (Lavieri). Já para 2017, a moeda deverá valer R$ 3,40 (Castelli), entre R$ 3,45 e R$ 3,50 (Silber) e R$ 3,70 (Lavieri). Já Silveira afirma que a moeda deve encerrar 2016 entre R$ 2,80 e R$ 3,00 e manter o nível em 2017.

Dólar não é recomendado como investimento. O conselho é comprar a moeda apenas se for viajar. Nesse caso, a compra deve ser feita aos poucos, para diluir o risco das variações.

Para quem quer ter algum investimento atrelado ao dólar, há opção de fundos cambiais e fundos nacionais que aplicam na moeda estrangeira.

PIB

Thinkstock

Os especialistas são unânimes em afirmar que o PIB de 2016 será negativo: -3% (Lavieri), -3,1% (Silber) e -3,2% (Castelli e Silveira).

Em 2017, todos acreditam que a atividade econômica irá crescer: 1% (Castelli), 1,2% (Silber), 1,3% (Lavieri) e 1,5% (Silveira).

Juros

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Os quatro economistas consultados preveem que as taxas de juros devem começar a cair já em 2016, em razão de queda na inflação e redução na atividade econômica: 13,5% (Lavieri), 13,75% (Castelli e Silber) ou 14% (Silveira).

Essa queda se acentua em 2017: 10% (Castelli), entre 11% e 11,25% (Silber), 11,50% (Lavieri) e 12,5% a 13,5% (Silveira). "Temer não deve reduzir tanto a taxa para dar mais credibilidade ao Banco Central", afirma Silveira.

O que o PIB tem a ver com a sua vida?

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