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Maggi contraria ministério e diz que não há dúvida sobre qualidade da carne

Do UOL, em São Paulo

  • José Cruz/Agência Brasil

    O ministro da Agricultura Blairo Maggi, que vem atuando para conter os efeitos negativos das notícias da Operação Carne Fraca sobre o setor de carnes

    O ministro da Agricultura Blairo Maggi, que vem atuando para conter os efeitos negativos das notícias da Operação Carne Fraca sobre o setor de carnes

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, afirmou que, das 21 empresas envolvidas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, nenhuma está sendo investigada por causa da qualidade dos seus produtos, mas sim "por questões burocráticas".

A afirmação vai contra o que contas em lista divulgada pelo próprio ministério há dois dias, detalhando as acusações que pesam sobre cada empresa. Essa lista mostra as empresas BRF, Peccin, Larissa, Souza Ramos, Central de Carnes Paranaense e Transmeat sob suspeita de vender produtos adulterados ou estragados.

Maggi disse, ainda, ter certeza de que "nenhum produto contaminado entrou no mercado" para o consumidor. O ministro prometeu publicar relatórios sobre as unidades investigadas todas as segundas-feiras e afirmou que sua pasta vai lançar novo regulamento de inspeção animal no dia 29 de março.

Entenda abaixo quais são as acusações para cada empresa:

Suspeita de carne estragada ou vencida, uso de papelão ou outras carnes

BRF: suspeita de salmonella em granjas de frango e de peru. A acusação não consta na lista do Ministério da Agricultura, mas está em relatório da Polícia Federal.

Peccin Agro Industrial, do Jaraguá do Sul (SC) e de Curitiba (PR) : suspeita de utilizar carne estragada em salsicha e linguiça e utilizar aditivos acima do limite ou proibidos. Também é acusada de usar em excesso CMS (carne mecanicamente separada, que é obtida por moagem e separação de ossos de animais) e preparar amostras no padrão exigido só quando era fiscalizada.

Frigorifico Larissa, de Iporã (PR): suspeito de vender produtos vencidos, trocar etiquetas e transportar produtos sem a temperatura adequada.

Frigorífico Souza Ramos, em Colombo (PR): suspeito de substituir matéria-prima de peru por carne de outras aves.

Central de Carnes Paranaense - Colombo (PR): suspeita de injetar produtos cárneos

Transmeat Logística, Transportes e Serviços - Balsa Nova (PR): suspeito de injetar produtos cárneos

Suspeita de corrupção e fraudes administrativas

Fora os problemas de qualidade das carnes, há investigação sobre corrupção e outras fraudes administrativas, como dificultar ações de fiscalização, irregularidades no procedimento de certificação sanitária, tentativa de evitar a suspensão de exportações, poluição ambiental, uso de senha de servidor do Ministério da Agricultura e falta de controle no recebimento da matéria-prima. Confira a lista das empresas com essas acusações:

  • Seara (da JBS) – Lapa (PR): Irregularidades no procedimento de Certificação Sanitária
  • BRF - Mineiros (GO): Corrupção, embaraço da fiscalização internacional e nacional e tentativa de evitar a suspensão de exportação
  • Frigorífico Oregon - Apucarana (PR): Corrupção e tornar difícil as ações de fiscalização
  • Frango D M Indústria e Comércio de Alimentos – Arapongas (PR): Corrupção
  • Frigorífico Argus - São José dos Pinhais (PR): Uso de senha do servidor do Ministério da Agricultura pelo funcionário da empresa
  • Frigomax Frigorífico e Comércio de Carnes - Arapongas (PR): Poluição ambiental e corrupção
  • JJZ Alimentos - Goianira (GO): Embaraço da atividade de fiscalização e corrupção
  • Frigorífico Rainha da Paz - Ibiporã (PR): Corrupção
  • Indústria de Laticínios S.S.P.M.A. - Sapopema (PR): Dificultar as ações de fiscalização
  • Central de Carnes Paranaense - Colombo (PR): Corrupção
  • Breyer & CIA - União da Vitória  (PR): Corrupção
  • E.H. Constantino & Constantino - Londrina (PR): Corrupção
  • Fábrica de Farinha de Carnes Castro - Castro (PR): Não controle de recebimento de matéria-prima
  • Transmeat Logística, Transportes e Serviços - Balsa Nova (PR): Corrupção

Suspeitas ainda não reveladas

Há, ainda, empresas com irregularidades em apuração, cujos problemas não foram divulgados pelo ministério. São estas três:

  • Indústria e Comércio de Carnes Frigosantos - Campo Magro (PR)
  • Balsa Comércio de Alimentos - Balsa Nova (PR)
  • Madero Indústria e Comércio - Ponta Grossa (PR)

Respostas das empresas

A JBS disse, em nota, que "o ministro da Agricultura, Blairo Maggi esteve na única instalação da JBS citada na investigação e constatou o rigor nos processos industriais".  A empresa afirma que "nenhuma das unidades da companhia foi interditada e não foi identificado nenhum problema em seus produtos. A JBS segue os mais rígidos padrões e protocolos nacionais e internacionais de qualidade e de segurança alimentar".

"A companhia reafirma seu compromisso de respeito e transparência com o governo, colaboradores e consumidores. A JBS ressalta que não compactua com qualquer desvio de conduta de seus funcionários e tomará todas as medidas cabíveis", registra a nota.

A BRF informou que "não compactua com práticas ilícitas" e que, ao ser informada da operação da PF, tomou imediatamente as medidas necessárias para a apuração dos fatos. "Essa apuração será realizada de maneira independente e caso seja verificado qualquer ato incompatível com a legislação vigente, a BRF tomará as medidas cabíveis e com o rigor necessário".

Em nota em seu site, a Peccin Agro industrial informou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e "lamenta a divulgação precipitada de inverdades sobre o seu sistema de produção".

A Frigorífico Larissa disse que o Ministério da Agricultura faria uma inspeção no estabelecimento nesta terça-feira (21) e que após a conclusão do laudo poderia dar um posicionamento.

O advogado da Indústria e Comércio de Carnes Frigosantos, João Francisco Monteiro Sampaio, afirmou que a empresa ainda não sabe o motivo pelo qual está sendo investigada.

Em nota em seu site, o Frigorífico Rainha da Paz informou que "mantém rigoroso controle de qualidade e de higiene em seu processo produtivo, com cumprimento das normas sanitárias pertinentes".

A Breyer & Cia informou que é uma empresa de mel e cera de abelhas e não tem relação comercial com frigoríficos. "Quanto ao pagamento de contraprestações apontadas na investigação dos frigoríficos, a empresa Breyer não necessita de favorecimentos considerando seu comprometimento com a qualidade". A empresa se diz contra esse tipo de ação.

A Frango D M Indústria e Comércio de Alimentos disse que a empresa foi mencionada devido à doação de duas caixas de carne de frango. O proprietário da empresa, Domingos Martins, informou, por meio de nota, que o fato realmente aconteceu e foi autorizado como uma contribuição a um evento sem fins lucrativos. "Após vistoria na indústria, realizada na sexta-feira (17), nenhuma irregularidade foi verificada e a produção segue normalmente".

O presidente do Madero, Junior Durski, informou, por meio de nota, que colaborou com a Polícia Federal e fará o mesmo com o Ministério da Agricultura. "Estou muito tranquilo, pois sei que os controles na nossa fábrica são irretocáveis e ainda espero que no desenrolar das investigações tudo fique esclarecido". Ele disse ainda que a cadeia produtiva não pode ser prejudicada por "poucos frigoríficos irregulares".

O Grupo Argus informou não solicitou a qualquer servidor do Ministério da Agricultura senhas para acessar ambientes restritos e promover liberações indevidas. A empresa afirma ainda que espera que os fatos sejam urgentemente apurados para que se constate sua idoneidade.

A JJZ Alimentos informou que está dentro das normas e exigências legais, com habilitação para comercialização de seus produtos no mercado interno e externo. A empresa diz ter certeza de que nenhuma irregularidade foi ou será encontrada.

A reportagem também entrou em contato com JBS, responsável pela Seara, mas não teve resposta nesta terça-feira (21).

O UOL não conseguiu contato por telefone com as empresas Oregon, Frigomax Frigorífico e Comércio de Carnes, Indústria de Laticínios S.S.P.M.A, Central de Carnes Paranaense, Frigorífico Souza Ramos, E.H. Constantino & Constantino, Fábrica de Farinha de Carnes Castro e Transmeat Logística.

(Com Reuters)

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