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Operação Carne Fraca

Citada na Carne Fraca, empresa que exportava carne de cavalo fechou em 2016

Rafael Moro Martins

Colaboração para o UOL, em Curitiba

Uma das investigadas na Carne Fraca pela Polícia Federal fechou as portas antes mesmo de a operação vir à tona. Desde julho de 2016, não há mais atividades no frigorífico Oregon, em Apucarana (PR), 364 km a noroeste de Curitiba. A empresa ficou devendo salários e direitos trabalhistas a 120 funcionários, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Apucarana e Região, José Aparecido Gomes.

Gravações feitas pela PF indicam que pessoas ligadas à Oregon negociaram propina com fiscais agropecuários para agilizar a resolução de um processo da empresa no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A empresa buscava retomar a autorização para abater cavalos e exportar a carne. O processo em questão tem data de dezembro de 2015.

A investigação da PF inclui também a empresa Frigobeto, dona do espaço onde funcionava a Oregon, além do dono da Oregon, Orestes Alvares Soldório, e dos donos da Frigobeto, Nilson Alves Ribeiro e Nilson Umberto Sachelli Ribeiro. Ribeiro e Sachelli tiveram prisão preventiva decretada. Sachelli foi preso em Pinhais (PR), região metropolitana de Curitiba. Ribeiro tem cidadania italiana, vive há anos na Europa e não deve se entregar, segundo seu advogado.

Segundo o advogado Alexandre Crepaldi, que representa Sachelli, a Frigobeto apenas arrendava a fábrica para a Oregon.

Empresa chegou a exportar carne de cavalo

Anos antes, porém, a Oregon chegou a exportar carne de cavalo. O UOL entrou em contato com o Ministério da Agricultura para confirmar quando e por que perdeu a Oregon perdeu a licença para abater e exportar equinos, mas não teve resposta.

De acordo com o advogado de Sachelli, a licença foi cassada pelo ministério após uma missão da União Europeia ter constatado uma irregularidade "de menor monta". Ele não detalhou qual seria a irregularidade, nem quando isso aconteceu. "Me parece, salvo melhor juízo, que estavam sendo vítimas de um tipo de chantagem ou extorsão de agente dentro do Mapa [Ministério da Agricultura]", disse.

Pedro Faraco, advogado do dono da Oregon, disse que não daria informações até que seu cliente preste depoimento à PF. Ele foi levado coercitivamente para depor, mas ficou em silêncio.

O que fez a empresa após perder a licença

Segundo os áudios da PF, a propina seria paga pela Oregon para "liberação do abate de cavalos, cujas carnes estavam já congeladas". Não fica claro por que as carnes já estavam congeladas se a empresa estava sem autorização sequer para abater os animais.

Uma pesquisa no site do Ministério da Agricultura revela que, ao menos oficialmente, nenhum equino foi morto para produção de carne em Apucarana em 2016. Em 2015, na contabilidade oficial, foram 4.516 cavalos. Segundo apurou a reportagem, a Oregon era a única empresa que abatia equinos em Apucarana.

No cadastro --ainda ativo-- da Oregon no SIF (Sistema de Inspeção Federal), não há nenhuma autorização para exportação de qualquer tipo de carne.

Atualmente, apenas duas empresas brasileiras aparecem como autorizadas a exportar carne equina: o Frigorífico Prosperidad, em Araguari (MG), e o Frigorífico Floresta, em São Gabriel (RS).

Iguaria

O abate de cavalos é bastante restrito no Brasil. Para comparação, o país exportou 2.800 toneladas de carne de equinos em 2015, segundo reportagem da "Folha". As exportações de carne de frango (in natura e processada) atingiram 4,38 milhões de toneladas no ano passado. Em relação à carne bovina, o Brasil previa exportar 1,4 milhão de tonelada no ano passado.

Os principais mercados são a Europa e a Ásia, onde a carne de equinos é apreciada como uma iguaria.

Por aqui, o consumo é incomum, mas não é proibido, bem como seu uso em produtos como embutidos --nesses casos, é preciso que o ingrediente esteja expresso no rótulo.

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