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Agência de risco Moody's corta nota da dívida da JBS

Do UOL, em São Paulo

  • Ueslei Marcelino/Reuters

A agência de classificação de riscos Moody's decidiu cortar nesta sexta-feira (9) a nota da dívida da JBS, empresa no centro das denúncias contra o presidente Michel Temer, de "Ba3" para "B2". Com isso, a empresa fica mais longe do chamado grau de investimento, uma espécie de "selo" de bom pagador.

A subsidiária do frigorífico brasileiro nos Estados Unidos também teve a nota rebaixada de "Ba3" para "B1". A Moody's manteve, ainda, a revisão da nota da JBS e da subsidiária nos EUA para possível rebaixamento, o que pode significar novo corte em breve.

"As reduções dos ratings [notas] refletem os riscos contínuos relacionados a possíveis processos judiciais futuros, a governança da empresa e os danos causados pela reputação e se, ou em alguma medida, esses riscos podem prejudicar as operações da empresa, o acesso ao mercado e a liquidez", afirmou a Moody's em relatório.

"Se a liquidez se deteriorar [piorar] como consequência desses desenvolvimentos, a Moody's poderá adotar mais ações de classificação antes da conclusão do processo de revisão", acrescentou a agência.

Esse é o segundo rebaixamento de nota que a JBS sofre desde que foram divulgadas as delações de seus executivos que atingiram em cheio o governo Temer. No final de maio, a Fitch cortou a nota da empresa de "BB+" para "BB", também sem o selo de bom pagador.

Avaliação indica risco de calote 

Um governo ou empresa consegue dinheiro vendendo títulos no mercado. Os investidores compram papéis com a promessa de receberem o dinheiro de volta no futuro com juros. Quando um governo ou empresa tem avaliação ruim, considera-se que há risco de dar um calote e não pagar esses investidores. 

Se houver desconfiança sobre essa devolução, fica difícil conseguir vender esses títulos, e é preciso pagar mais juros aos investidores para compensar o risco maior. O rating, ou classificação de risco, indica aos investidores se um país, empresa ou negócio é considerado um bom pagador ou não.

O chamado grau de investimento, por exemplo, indica que tem baixo risco de dar calote, e que as aplicações financeiras feitas por investidores estrangeiros nesse país ou empresa terão risco próximo a zero.

 

Agências falharam na crise de 2008/2009

A classificação das agências de risco é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião supostamente independente a respeito do risco de calote de países, empresas e negócios.

Porém, as agências foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009. Elas deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.

(Com Reuters)

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