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Agência mantém nota do Brasil, mesmo após aumento da previsão de rombo

Do UOL, em São Paulo

A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) anunciou nesta terça-feira (15) que manteve a classificação BB para a dívida brasileira, logo após o governo ter elevado a previsão de rombo das contas públicas para R$ 159 bilhões em 2017 e 2018.

Ao mesmo tempo, a S&P passou a ter uma perspectiva negativa, o que ainda pode significar um corte no curto prazo.

A agência explicou que a medida significa que há pelo menos uma chance em três de que o rating do país possa ser reduzido num prazo de seis a nove meses. Ao mesmo tempo, a S&P afirmou que a nota atribuída ao país pode se estabilizar e que as instituições políticas dão suporte à estabilidade econômica.

A agência S&P havia tirado o "selo de bom pagador" do Brasil em setembro de 2015.

Temer diz que vai recuperar nota

Na nesta sexta-feira (11), o presidente Michel Temer chegou a afirmar que seu governo tem sido ousado ao fazer as reformas e que o país vai recuperar em breve o grau de investimento perdido no passado.

"São matérias [as reformas] que ficaram anos e anos paralisadas", disse o presidente durante cerimônia de inauguração de uma fábrica de etanol de milho em Lucas do Rio Verde (MT). "Logo vamos reassumir o grau de investimento que perdemos no passado", acrescentou.

Avaliação indica risco de calote 

Um governo consegue dinheiro vendendo títulos no mercado. Os investidores compram papéis com a promessa de receberem o dinheiro de volta no futuro com juros. Quando um governo tem avaliação ruim, considera-se que há risco de dar um calote e não pagar esses investidores. 

Se houver desconfiança sobre essa devolução, fica difícil conseguir vender esses títulos, e o país tem de pagar mais juros aos investidores para compensar o risco maior. O país com mais confiança são os EUA.

O rating, ou classificação de risco, indica aos investidores se um país, empresa ou negócio é considerado um bom pagador ou não.

O chamado grau de investimento, por exemplo, indica que uma economia tem baixo risco de dar calote, e que as aplicações financeiras feitas por investidores estrangeiros nesse país terão risco próximo a zero.

 

Agências falharam na crise de 2008/2009

A classificação das agências de risco é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião supostamente independente a respeito do risco de calote de países, empresas e negócios.

Porém, as agências foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009. Elas deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.

(Com agências de notícias)

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