Após reclamações, conselho do Conar reprova anúncios do próprio órgão

O Conselho de Ética do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) reprovou e recomendou a alteração de dois anúncios para TV de uma campanha do próprio órgão, que estavam sendo exibidos desde agosto.
O Conar afirma que a campanha, chamada "Confie no Conar" e assinada pela agência AlmapBBDO, recebeu reclamações de "aproximadamente uma dezena de consumidores, que entenderam haver nos filmes desmerecimento de movimentos que lutam por mais respeito pela diversidade social".
O Conar e a agência afirmam que vão recorrer da decisão, mas que os anúncios não serão mais exibidos enquanto o Conselho de Ética não tomar uma decisão diferente.
Como é a campanha
Um dos vídeos reprovados mostra duas famílias tomando café da manhã, em cenas muito parecidas, mas com algumas diferenças. Uma mostra um casal heterossexual, com o filho comendo um doce de chocolate e uma filha com um gato. O outro tem um casal de mulheres, com um filho que come torrada e uma filha com um lagarto. Um dos filhos come uma goiaba branca e o outro, uma vermelha.
O narrador diz:
"Já pensou se todo comercial tivesse que ter opções para agradar todo mundo? Por isso que existe o Conar. Para separar o que é gosto pessoal do que é ofensivo e ilegal".
A outra peça tem o título "Moda" e discute sobre modelos serem gordas ou magras e a necessidade de "ter gente de toda etnia" representada nos filmes.
Campanha pode ofender, diz relator
Para o relator do Conselho, que analisou a campanha, as propagandas "dão margem para que as pessoas se sintam ofendidas", porque dão a entender que questões como "condição social, étnica ou sexual" estão no mesmo nível de gosto.
"A lógica da campanha é correta, pertinente, louvável. No entanto, o resultado infelizmente não comunica a separação de questões esdrúxulas, ridículas, de gosto ou simples opinião daquelas questões que mobilizam parcelas significativas da sociedade e do mercado - cada vez mais marcas valorizam a diversidade, por exemplo", afirmou.
Ele propôs que os filmes sejam modificados para eliminar a possibilidade de interpretação, por exemplo, de que diversidade de goiabas e diversidade étnica estejam no mesmo nível de importância.
Outras duas campanhas do próprio Conar já tinham sido analisadas pelo Conselho de Ética, em 2002 e 2014, mas acabaram arquivadas.
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