Reforma da Previdência vira marchinhas e samba-enredo no Carnaval; assista

Claudia Varella
Colaboração para o UOL, em São Paulo
Tiago Santana
Carnaval de protesto do Sindicato Nacional dos Aposentados, em 30/1, em São Paulo

Os protestos contra a reforma da Previdência viraram samba-enredo e marchinhas de Carnaval deste ano.

A marchinha "Vota, mas não volta" foi produzida por 16 entidades, entre elas o Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União).

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A marchinha é um "alerta" aos deputados que votarem a favor da reforma e deverá ser tocada por blocos no Rio de Janeiro, diz o Sindilegis. Seus versos dizem: "Seu deputado, seu senador/ Tome cuidado/ Olha a revooolta!/ Pois se votar na reforma do Temer/ vota, mas não volta".  

"As marchinhas de Carnaval são uma expressão da nossa cultura e muitas vezes refletem o momento político do país. A nossa vem dizer que o brasileiro não é bobo e não vai engolir essa reforma. Vamos sepultar os mandatos daqueles que sepultarem os nossos direitos", afirma Petrus Elesbão, 53, presidente do Sindilegis.

Samba-enredo e até escola de samba

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, da Força Sindical, não só lançou um samba-enredo como também organizou um "Carnaval de protesto", com a criação da escola de samba Unidos dos Aposentados. O protesto aconteceu na av. Paulista, em São Paulo, no dia 30 de janeiro, e reuniu cerca de 2.000 pessoas, segundo a entidade.

O samba-enredo "Quem lutou a vida inteira exige mais respeito" traz um recado aos políticos: "Alô, seu deputado, tenha consciência/ Não flagele o nosso povo reformando a Previdência/ Alô, seus governantes, tenham consciência/ Não flagele a nossa gente reformando a Previdência".

E o refrão diz: "Vem pra rua, que essa luta é social... é Carnaval! / Quem lutou a vida inteira exige mais respeito/ Aposentado tem os seus direitos".

"Tentamos inovar fazendo um protesto em forma de Carnaval, para chamar a atenção da sociedade e também dos nossos dirigentes, e mostrar a nossa indignação com essa reforma da Previdência que está aí", declara Marcos Bulgarelli, 63, presidente do sindicato.

A escola de samba Unidos dos Aposentados era composta por dez alas temáticas, como "enterro da Previdência" (todos de colete preto e carregando caixões), "custo de vida" (colete vermelho) e "injustiça" (colete roxo).