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Entidades questionam falta de empresa nacional em projeto de inovação do BC

Do UOL, em São Paulo

Associações representantes de empresas de tecnologia questionaram a ausência de companhias brasileiras entre os parceiros do Banco Central no projeto de inovação do sistema financeiro, lançado na quarta-feira (9).

O projeto se chama Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift) e é inspirado na experiência de outros bancos centrais, com objetivo de melhorar o sistema financeiro e conseguir, por exemplo, crédito mais barato.

Empresas, entidades ou pessoas físicas poderão apresentar projetos na área financeira, e as companhias parceiras vão ajudar a desenvolver essas soluções.

O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Infraestrutura de Hospedagem na Internet (AbraHosting), Vicente Neto, disse que viu com estranheza o fato de o projeto contar apenas com o apoio de três gigantes americanas – Microsoft, IBM e Amazon Web Services. Segundo o Banco Central, o projeto está aberto a todos.

Vicente Neto afirmou que a associação não foi consultada sobre o assunto. Ele disse que a AbraHosting possui quase 30 associados e que a maioria teria não apenas condição, mas também interesse em participar da iniciativa do Banco Central.

"A associação nem sequer foi consultada. Achei estranho haver apenas empresas americanas, incluindo uma que nem mesmo recolhe imposto no Brasil", disse.

Brasil tem serviço de qualidade, diz Abranet

O presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Parajo, disse que a entidade também não foi procurada. Ele afirmou que vários associados têm realizado investimentos ao longo dos anos para criar tecnologia e oferecer os chamados serviços de nuvem com qualidade.

"Vários de nossos associados, com base tecnológica brasileira, possuem plataformas tecnológicas no Brasil para auxiliar essas novas fintechs [empresas financeiras apoiadas em soluções tecnológicas]", disse.

BC diz que projeto foi anunciado publicamente

O chefe-adjunto do Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central, Aristides Andrade Cavalcante Neto, disse que, em junho de 2017, a instituição abriu a possibilidade para que qualquer provedor de serviço de nuvem participasse do projeto.

Ele afirmou que esse chamado foi feito publicamente pelo chefe do departamento, Marcelo Yared, durante o Congresso Ciab Febraban, em São Paulo.

Neto disse também que o laboratório de inovação é coordenado pela Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac), com suporte do Banco Central.

"Nosso CIO [executivo de tecnologia] anunciou em 2017 essa iniciativa e fez um convite para que qualquer player que quisesse participar nos procurasse", disse o chefe-adjunto do departamento.

De acordo com ele, apenas Microsoft, IBM e Amazon Web Services formalizaram a proposta. "Nós não escolhemos. Eles nos escolheram, se prontificaram, nos procuraram", disse.

Neto afirmou que, após o lançamento do Lift, na quarta-feira, duas empresas procuraram o Banco Central. Ele não disse se são companhias nacionais ou estrangeiras, mas afirmou que o laboratório está aberto a novos parceiros. "Estamos abertos. Se a empresa quiser aderir, pode aderir. Não é um clube fechado", disse.

Questionado sobre um prazo para adesão e se novos parceiros seriam aceitos no atual ciclo do laboratório, o Banco Central disse que, por uma questão prática, os desenvolvedores precisam estar habilitados até 16 de julho.

Inscrições de projetos vão até 24 de junho

As inscrições no primeiro ciclo do laboratório estão abertas e podem ser realizadas até 24 de junho. Os projetos selecionados terão prazo de até 90 dias para serem desenvolvidos com ajuda das empresas parceiras.

As propostas podem ser apresentadas por cidadãos, entidades de classe e por empresas. Um dos critérios do Banco Central é que o projeto tenha relação com um dos quatro pilares da Agenda BC Mais: crédito mais barato, sistema financeiro mais eficiente, legislação mais moderna e cidadania financeira.

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