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SP e Rio podem ficar sem gasolina; combustíveis não chegam a várias cidades

Do UOL*

A greve dos caminhoneiros contra o aumento dos combustíveis chegou ao quarto dia, e os postos de gasolina de vários estados estão sem receber novas entregas. Com isso, operam no limite de seus estoques e, em algumas cidades, há risco iminente de desabastecimento. 

É o caso da cidade do Rio de Janeiro: os combustíveis de toda a cidade devem durar no máximo até sábado, segundo o Sindcomb, sindicato que representa os postos de gasolina da cidade. Também é a situação de São Paulo: segundo o sindicato da capital paulista, o Sincopetro, há risco de ficar sem gasolina, diesel e gás ainda nesta quinta.

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A reportagem do UOL verificou problemas com o abastecimento nos postos em ao menos outros quatro estados, mais o Distrito Federal, além de São Paulo e Rio: Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

Em muitas cidades, houve filas de veículos tentando abastecer, com medo da falta de combustíveis. Em outras, internautas flagraram reajustes feitos de última hora e alguns abusivos, com o preço do litro da gasolina a quase R$ 10.

Rio e SP já estão no limite

Segundo o Sindcomb, até o fim desta quinta, 90% dos postos da cidade do Rio de Janeiro estarão secos ou com a oferta de apenas um tipo de combustível. Na quarta (23), 37 estabelecimentos da cidade já haviam informado à entidade estarem com seus estoques esgotados ou contados para os próximos dois a três dias, e este número estava aumentando hoje.

A recomendação do Sindcomb é que as famílias que possuam mais de um veículo não encham o tanque de todos os carros. A cidade do Rio tem, ao todo, 850 postos de gasolina.

"É uma situação inédita, e a situação do Rio é caótica", informou o Sindcomb ao UOL, por meio de sua assessoria de imprensa. "Os postos deixaram de receber abastecimento na segunda-feira e estão trabalhando com o mesmo estoque desde então. Continuando assim, com certeza até amanhã ou, no máximo, sábado, os postos da capital estarão desabastecidos de todos os combustíveis líquidos."

Segundo o sindicato carioca, os caminhões em protesto bloquearam as ligações que chegam à Reduc, refinaria de Duque de Caxias da Petrobras, que fornece gasolina e demais combustíveis para todas as distribuidoras da região. 

Em São Paulo, o Sincopetro estima que o estoque dos postos da capital paulista também não devem passar de hoje, em especial no caso do etanol, que tem sido mais procurado pelos motoristas, por estar mais barato.

Postos no interior do Mato Grosso enfrentam a mesma situação, diz o sindicato de postos do estado, o Sindipetróleo. Em Cuiabá, o estoque de vários postos poderia acabar ainda nesta quinta.

No DF, gasolina a R$ 9,99

Em Brasília e cidades do entorno, foram encontrados postos de gasolina que subiram o preço do litro dos combustíveis no rastro da falta e da alta procura. O Sindicombustíveis do Distrito Federal informou que mais de 60% dos 312 postos de combustíveis locais estavam com falta de gasolina nesta quinta.

Em Águas Claras, região que fica a 25 quilômetros do centro da capital federal, um posto chegou a cobrar R$ 9,99 pelo litro da gasolina. Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra um frentista alterando o valor. Em um posto de bandeira Petrobras em Planaltina, na BR-020, o litro do produto chegou a ser vendido por R$ 9.

Pelo menos três postos foram autuados por preços abusivos pelo Procon/DF. A orientação do Procon é que os consumidores denunciem ao Procon de seu estado as suspeitas de estabelecimentos que tenham mudado o preço por conta da situação atípica, o que configura prática abusiva (veja como denunciar aqui).

Bombas vazias e filas em Minas

Em Minas Gerais, mais de 40% dos 4.350 postos de combustíveis do estado já estavam com falta de produtos ou desabastecidos, de acordo com balanço divulgado por volta de 14h30 pelo Minaspetro, o sindicato dos postos no estado. Dentro desse percentual, estão estabelecimentos com falta parcial de etanol, gasolina ou gasolina aditivada. 

Segundo o Minaspetro, "a situação é agravada pelos bloqueios nos acessos à Regap (Refinaria Gabriel Passos), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, que impedem a chegada e saída dos caminhões que abastecem os revendedores." 

Em Juiz de Fora, houve grandes filas de carros nos postos de combustíveis que ainda tinham gasolina, diesel ou etanol.

No sul de Minas, parte dos postos de combustíveis ficou sem algum dos combustíveis ainda na quarta-feira (23). Poucas unidades em Pouso Alegre e Poços de Caldas ainda tinham algo nas bombas e mantinham filas para abastecimento. 

Promoção adiada em SC e filas no Paraguai

Em Santa Catarina, a greve dos caminhoneiros impediu que um posto de combustíveis de Florianópolis (SC) vendesse gasolina com desconto nesta quinta, quando estava prevista uma ação do Dia da Liberdade de Impostos. A ação prometia desconto de 42% no litro da gasolina, a R$ 2,47, para os cem primeiros clientes. Segundo um funcionário do Posto Ilha Bela, o estabelecimento ficou sem combustível desde quarta à noite. 

No Paraná, a falta de gasolina em Foz do Iguaçu (PR), somada aos preços altos, gerou aumento na procura por combustíveis em Ciudad del Este, no Paraguai, onde, subsidiado pelo governo, o litro do diesel está 40 centavos mais barato e a gasolina sai por R$ 1,36 menos.

O Sindicombustíveis, que reúne os postos paranaenses, afirmou nesta manhã que pelo menos dois municípios já estavam completamente sem álcool ou gasolina: Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, e União da Vitória, no sul do estado. Em cidades maiores, como Curitiba, Londrina e Maringá, também haviam postos com as bombas secas.

* Com reportagem de Juliana Elias (São Paulo) e colaboração de Carlos Eduardo Cherem (Belo Horizonte), Marcela Lemos (Rio), Fernando Arbex (São Paulo) e Lucas Gabriel Marins (Curitiba)

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