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Mercado vê governo interferir na Petrobras por medo de gasolina ir a R$ 11

Marcelo Fonseca/Estadão Conteúdo
Imagem: Marcelo Fonseca/Estadão Conteúdo

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

24/05/2018 07h30

A decisão da Petrobras de reduzir o preço do diesel em 10% por 15 dias foi interpretada por agentes do mercado financeiro como a volta da ingerência política na gestão da estatal.

Na opinião de um economista que preferiu não se identificar, o governo pressionou a companhia a tomar uma atitude para conter o protesto dos caminhoneiros.

“Do jeito que a coisa estava, a paralisação provocaria desabastecimento geral. O preço da gasolina nos postos poderia chegar, facilmente, aos R$ 10 ou R$ 11”.

Tal situação, diz o economista, provocaria pressão inflacionária, forçando o Banco Central a adotar uma medida inesperada: aumentar a taxa Selic, atualmente em 6,5%, quebrando o processo de redução dos juros observado desde o fim de 2016.

Governo ou Petrobras terá que subsidiar combustíveis

A redução no preço do diesel não deverá se limitar ao período de 15 dias como anunciou ontem a Petrobras, diz o professor Celso Grisi, da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Ele acredita que o governo será forçado a tomar alguma medida, como reduzir a carga de impostos sobre os combustíveis, ou obrigar a estatal a diminuir sua margem de lucro, até que a cotação internacional do petróleo e o dólar recuem.

“Um dos dois lados vai ter que ceder e subsidiar os combustíveis: ou o governo, ou a Petrobras. O problema não é só com os caminhoneiros. Esse nível de preços dos combustíveis está sufocante para todo mundo”, afirma Grisi.

“Em tese, o governo poderia reduzir o PIS/Cofins ou negociar uma diminuição do ICMS com os estados. Mas a atual situação fiscal do país e dos estados dificulta que essas medidas sejam tomadas”, diz Grisi.

“Outro caminho é a Petrobras renunciar a parte do seu lucro. A companhia adotou uma política de preços muito agressiva para um momento em que temos alta do petróleo no mercado internacional e, ao mesmo tempo, desvalorização cambial”, declarou o professor da FIA.

Ações da Petrobras devem cair forte na Bolsa

Os investidores devem reagir mal à decisão da Petrobras de reduzir o preço do diesel, contrariando sua política de reajuste de combustíveis. O presidente da estatal, Pedro Parente, disse que a medida foi tomada em caráter excepcional, tendo em vista o momento do país.

“A edição de um anexo à regra da política de reajuste dos combustíveis vai causar desconforto no mercado. Ontem, as ações já caíram bastante, com investidores preocupados que alguma medida inesperada fosse tomada”, afirma Pablo Spyer, diretor de operações da corretora Mirae.

As ações preferenciais (PN) da Petrobras recuaram 5,83% ontem, para R$ 23,27, enquanto as ordinárias (ON) perderam 4,47%, para R$ 27,15.

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