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Temer diz que diálogo com caminhoneiros teve um "resultado extraordinário"

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

31/05/2018 11h55

Em evento da igreja Assembleia de Deus em Brasília, nesta quinta-feira (31), o presidente da República, Michel Temer (MDB), disse que a greve dos caminhoneiros está chegando ao fim e que lamenta que as negociações feitas pelo governo tenham sido criticadas. 

Segundo o presidente, as forças federais só foram chamadas quando o “diálogo começou a falhar” e isso deu um “resultado extraordinário”.

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A PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou nesta quinta que há nove concentrações de pessoas e veículos em rodovias federais, mas sem “anormalidades”.

“Hoje, acho que fui chamado iluminado por Deus, porque, na verdade, Ele disse: ‘olha, vai lá no templo da Assembleia de Deus comemorar a pacificação do país’. Acho que foi isso que nós fizemos”, disse Temer.

"Vou para o Palácio do Planalto agora que, graças a Deus, nós estamos encerrando essa greve dos caminhoneiros e, olha, encerramos a greve dos caminhoneiros por meio de uma atitude minha que, muitas e muitas vezes, tem sido criticada, que é o diálogo”, afirmou.

Em seguida, Temer disse que o governo não usa a força nem a violência, mas a autoridade por meio das negociações. Ele disse que a única morte até o momento foi causada por “atividade política” em Rondônia, de uma pessoa que atirou um tijolo ou uma pedra contra o para-brisa de um caminhão e acabou atingindo a cabeça de um caminhoneiro.

A greve dos caminhoneiros entra nesta quinta em seu 11º dia, já bastante enfraquecida e dando sinais claros de encerramento. Diversos estados ainda contam com desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos por falta de transporte. Apesar de a situação no país não ser mais tão grave quanto na semana passada, o fluxo de mercadorias não está totalmente normalizado.

Defesa a candidatura de Meirelles

Na ocasião, Temer aproveitou para indiretamente defender o pré-candidato do MDB à Presidência, Henrique Meirelles, que também compareceu à solenidade e estava ao seu lado.

O presidente disse saber que há controvérsias em anos eleitorais, mas pediu que estejam “baseadas não em pessoas, mas em projetos”.

Ele então fez um breve levantamento de reformas de seu governo – todas encampadas por Meirelles – e disse que os candidatos de oposição terão de criticar a queda da inflação e juros baixos.

Bíblia no gabinete e pedido de oração

O presidente Michel Temer também pediu que os bispos presentes orassem por ele e por seu governo, pois, assim, estariam “orando pelo país”. O emedebista disse manter uma bíblia aberta em seu gabinete no Palácio do Planalto para consultas quando em dificuldades junto a um exemplar da Constituição Federal.

“Não foram poucas as vezes que eu abri a Bíblia. Assim, sem nenhuma intenção, a não ser aquela, eu digo ‘Deus, me dê o caminho’. E, quando eu abria numa folha qualquer, numa página qualquer, eu lia um salmo, um provérbio, o que fosse, e lá eu encontrava o caminho para aquele dia”, relatou, ao acrescentar que os dias na Presidência não são fáceis. Especialmente quando o país perdeu “um pouco a noção da cerimônia, solenidade, liturgia, respeito e educação”, disse.

Membro da igreja é investigado na Lava Jato

O presidente participou pela manhã da assembleia geral da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira junto com diversos políticos ligados à igreja. O presidente vitalício da denominação evangélica é o bispo Manoel Ferreira. O presidente executivo é seu filho, bispo Samuel Ferreira.

Samuel Ferreira foi investigado na operação Lava Jato por suspeita de lavagem de dinheiro para o ex-presidente da Câmara e ex-deputado federal Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Segundo denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) acatada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em maio de 2016, Cunha teria usado uma conta da igreja para lavar R$ 250 mil com o apoio dos então lobistas Júlio Camargo e Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano. Ambos viraram delatores na Lava Jato.

O montante seria parte dos US$ 5 milhões que Cunha supostamente recebeu de propina pela contratação de dois navios-sonda da Petrobras. O processo contra Samuel Ferreira está sob responsabilidade do juiz federal Sergio Moro, que cuida dos processos da Lava Jato em primeira instância.

Antes do início do evento, uma pessoa do cerimonial pediu respeito ao presidente Michel Temer. Ao apresentar o presidente, Manoel Ferreira disse que acima dele “só tem Deus”. Quando todos entraram no púlpito, o bispo disse a Temer: “Aqui você só vai ser aplaudido, porque aqui aprendemos a respeitar as autoridades constituídas.”

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