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Os caminhoneiros farão uma nova greve? Veja o que se sabe até agora

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

04/06/2018 04h00Atualizada em 04/06/2018 13h19

Dias após a greve dos caminhoneiros gerar uma crise de desabastecimento de combustíveis e de alimentos em todo o país, mensagens de áudio e texto têm se propagado pelas redes sociais e pelo WhatsApp dizendo que uma nova paralisação da categoria começaria a partir desta segunda-feira (4). O governo federal diz que elas são falsas, mas monitora a possibilidade de nova mobilização.

Algumas associações de caminhoneiros que estiveram à frente do movimento no final de maio disseram não estar envolvidas em uma nova greve. Mas, um grupo reduzido de caminhoneiros autônomos se reuniu no domingo (3) em Brasília esperando uma possível manifestação ou greve. 

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Em tom alarmista, as mensagens nas redes sociais aconselham a população a abastecer os tanques de seus veículos e estocar comida. Sua veracidade não pôde ser comprovada pelo UOL com fontes independentes.

O governo afirmou que as mensagens não passam de boatos e disse que, a princípio, não renovaria o decreto de Garantia da Lei e da Ordem que permitiu às Forças Armadas agir na greve dos caminhoneiros. Ele foi estabelecido em 25 de maio e perde a validade nesta segunda-feira. 

Veja o que se sabe até agora sobre a possibilidade de greve:

Por que uma nova greve?

A razão da nova greve, segundo os áudios, seria o suposto veto do presidente Michel Temer (MDB) à redução de R$ 0,46 no preço do óleo diesel. A medida, no entanto, já está em vigor, segundo o governo.

Apesar de o desconto já estar valendo, alguns postos de São Paulo ainda não repassaram integralmente a queda de R$ 0,46 do diesel nas bombas. E mesmo que os postos cumpram o prometido, alguns caminhoneiros afirmam que a redução do diesel não resolve o problema do valor baixo dos fretes.

Há alguma mobilização de caminhoneiros?

Algumas das mensagens convocavam os caminhoneiros a irem até o estádio Mané Garrincha, em Brasília, onde haveria uma grande concentração. O objetivo seria chamar a atenção do governo e conseguir uma reunião com o presidente Michel Temer.

Por volta do meio-dia desta segunda-feira, a reportagem do UOL foi até o local e contou apenas quatro caminhões e alguns carros de passeio parados no estacionamento do estádio.

Além disso, outras concentrações aconteceriam nos demais estados brasileiros.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmou que não há bloqueios ou concentrações de caminhões nas estradas brasileiras nesta segunda-feira. A PRF de São Paulo também afirmou que não há bloqueios de manifestantes em rodovias do estado.

O que diz o governo?

Em entrevista a uma rádio, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros não passa de boato. "Não existe uma articulação para refazer o movimento. Está se tentando criar uma clima de ansiedade, de preocupação e divulgando fatos infundados", afirmou Jungmann.

No domingo, o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Sergio Etchegoyen, afirmou que não há motivo para preocupação e o momento é de normalidade no abastecimento de combustíveis pelo país.

“Nós estamos acompanhando e verificando qual o tamanho, quais são as consequências dessa eventual, propalada, convocada mobilização, mas sem nos preocuparmos no ponto do alarme", afirmou Etchegoyen. "Todas as notícias são acompanhadas, todos os fatos são acompanhados. [...] Nossa avaliação é de que estamos em um quadro de normalidade e não tende a se modificar".

O governo, inclusive, produziu e publicou nas redes sociais um vídeo no qual nega uma nova greve de caminhoneiros. "É importante que você não acredite em qualquer coisa que chegue para você nos grupos da família ou do trabalho", diz o vídeo produzido pelo Planalto. (assista abaixo ao vídeo feito pelo governo)

O que dizem os representantes dos caminhoneiros?

A porta-voz da Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros), Carolina Rangel, afirmou ao UOL que a entidade não está envolvida em nenhuma nova paralisação e que, por parte da associação, esse rumor não procede.

"Nos grupos de WhatsApp que reúnem lideranças da categoria e que nós participamos não há nenhum movimento neste sentido", disse.

Ao site Paraná Portal, parceiro do UOL, representantes da CNTA (Confederação Nacional dos Transportares Autônomos), da ABC (Associação Brasileira de Caminhoneiros) e da UNC (União Nacional dos Caminhoneiros) também negaram uma nova paralisação.

Algumas páginas de Facebook com grande número de seguidores também não confirmavam uma nova greve de caminhoneiros.

(Com Estadão Conteúdo)

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