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Empresário brasileiro é preso pelo FBI suspeito de desviar US$ 750 mil

Camila Mendonça

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/09/2018 17h02

O empresário brasileiro Marcos Eduardo Elias, 47, que foi economista-chefe do banco BNP Paribas e um dos fundadores da empresa Empiricus Research, foi preso na Suíça e extraditado para os Estados Unidos a pedido do FBI, a polícia federal norte-americana. Ele é acusado de usar uma identidade falsa para desviar US$ 750 mil da conta de uma empresa brasileira nos EUA.

A reportagem não localizou a defesa de Elias.

Segundo denúncia divulgada pela corte federal de Manhattan (EUA) em 28 de agosto, uma empresa brasileira, o grupo Zaffari, mantinha uma conta em um banco em Manhattan desde 2012. Em junho de 2014, Elias teria entrado em contato com um executivo desse banco, usando um email falso, se passando por um dos donos da conta. Em 15 de julho de 2014, transferiu cerca de US$ 752 mil dessa conta para outra, em Luxemburgo, na Europa.

Segundo o advogado do banco, Geoffrey S. Berman, Elias "roubou esse valor da instituição financeira por meio de uma sofisticada rede de fraude envolvendo uma empresa no Panamá e uma conta em Luxemburgo". Ele teria usado uma empresa de fachada no Panamá, com o mesmo nome da empresa brasileira, para dar a impressão de legalidade à operação. 

O Zaffari, dono de uma rede de supermercados no Brasil, confirmou que sua conta no banco dos EUA foi violada. O grupo disse que colaborou com as investigações e que o valor desviado já foi devolvido. 

Segundo o banco norte-americano, Elias teria tentado fraudar uma segunda instituição financeira, também sediada em Manhattan, usando o nome e o passaporte de um correntista.

A pena máxima por fraude de transferência bancária nos Estados Unidos é de 30 anos. Já a pena por receptação de produto de furto tem pena máxima de 10 anos.  Elias também está sendo acusado de fraudar identidade, cuja pena é de dois anos.

Quem é Marco Elias

Marcos Elias é conhecido do mercado financeiro. Formado em Engenharia pela USP, ele ajudou a fundar empresas como a GAS investimentos, a Guiar Investimentos, a Galleas Partners e a Empiricus Research.

Tem passagens pelo banco BNP Paribas, onde chegou a ser economista-chefe, banco Brascan, Monitor MGDK e Ernst & Young, e é sócio da Modena Capital.

"Uma pessoa complicada, que toda hora estava querendo dinheiro novo". É assim que ele foi definido por uma fonte ligada à Empiricus. Elias ficou na empresa por pouco mais de dois anos e saiu após diversos problemas com os sócios.

Em nota oficial, a Empiricus afirmou que "Marcos deixou a companhia em 2012, anos antes dos acontecimentos relatados. Desde sua saída, nenhum sócio ou colaborador da Empiricus manteve qualquer tipo de contato com ele".

"Nunca desconfiamos de algo assim, mas não posso dizer que ficamos surpresos", disse a fonte. "Mas ninguém pensava que chegaria nesse nível."

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