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Mudança fará cliente sentir na hora alta e baixa no preço do botijão de gás

Filipe Andretta

Do UOL, em São Paulo

07/08/2019 10h36Atualizada em 07/08/2019 10h36

Resumo da notícia

  • Antes reajustado a cada trimestre, agora preço pode mudar a qualquer momento
  • Redução média de 8% anunciada nesta segunda (5) pode chegar ao consumidor, mas depende de outros fatores
  • Especialistas afirmam que nova política de reajuste estimula a competitividade e evita mudanças drásticas nos preços

A Petrobras anunciou na segunda-feira (5) duas medidas que vão impactar no preço do gás de cozinha em botijão: a redução média de 8% no valor do produto e uma nova política de reajuste.

Antes, o preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) vendido pela empresa a distribuidoras era revisto a cada três meses, o que dava certa estabilidade ao valor cobrado do consumidor final. Agora, o reajuste pode ser feito a qualquer momento, para mais ou para menos.

Coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz afirma que o preço do botijão de gás passa a refletir mais rápido as variações do mercado internacional. "É provável que em 15 dias o consumidor comece a perceber a queda do preço", diz o economista.

Segundo Braz, o valor do botijão depende de outros fatores, como o custo do transporte e a quantidade de distribuidoras concorrentes em cada região. Por isso, cidades com melhor infraestrutura tendem a apresentar reduções mais significativas.

Mercado externo influencia preço do botijão

O corte médio de 8% anunciado pela Petrobras indica que o GLP importado está chegando ao Brasil com preços competitivos. Caso o gás fique mais caro no mercado internacional, o preço interno tende a aumentar para preservar os lucros da empresa.

O economista diz que a nova política de preço é positiva mesmo se o preço subir, pois o reajuste não vai ser represado. "Essa rápida incorporação evita surpresas desagradáveis."

Para o presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, a decisão da Petrobras deve ser comemorada, porque estimula a competição no setor. "As práticas até ontem [segunda-feira] eram de um monopolista; agora estão mais próximas de um livre mercado", diz.

Bandeira de Mello também afirma que o mercado internacional está com excesso de oferta de GLP, principalmente por causa da produção vinda do Golfo do México e dos EUA. Esse cenário favorece a queda de preços internos, que pode ser repassada às famílias mais rapidamente.

Gás residencial tem que ser mais barato

O gás de uso residencial é vendido em botijões de até 13 kg. Uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determina que esse produto tenha preços menores do que o gás industrial e comercial.

Em nota, a Petrobras afirma que segue respeitando esta regra, mas que "os preços do GLP industrial/comercial e do residencial envasado em botijões de até 13 kg (P13) passam a ter um alinhamento maior".

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