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Idealizador do Bolsa Família diz que é hora de "proteger capital humano"

Ricardo Paes e Barros é economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, professor do Insper e um dos idealizadores do programa Bolsa Família - Bruno Santos/Folhapress
Ricardo Paes e Barros é economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, professor do Insper e um dos idealizadores do programa Bolsa Família Imagem: Bruno Santos/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

08/04/2020 09h27

Ricardo Paes de Barros, um dos idealizadores do Bolsa Família, disse em entrevista ao jornal "O Globo" que isolar apenas os idosos em meio à pandemia do novo coronavírus, como tem defendido o presidente Jair Bolsonaro, "parece impossível" e que a hora é de preservar a saúde de todos.

"Está na hora de proteger o capital humano, e ele é muito valioso, não tem por que arriscar isso. Estatisticamente falando, quanto mais rápido controlar a difusão do vírus é melhor do que tentar isolar as pessoas que, em princípio, seriam mais sensíveis a ele", disse.

"A economia tem de entender que nós vamos perder uma renda por uma boa razão, nós estamos protegendo o nosso capital humano. Temos um capital humano que, se a gente usar agora, não vamos ter depois, então nós vamos poupar", continuou.

Professor do Insper e economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Paes de Barros argumenta que a política de auxílio emergencial do governo federal é insustentável a longo prazo, e que ela só pode se manter caso seja mais específica.

"De imediato, a gente pode fazer distribuição de recursos mais generosa e sem muita preocupação com a focalização delas. Mas, para isso realmente ser sustentável, tem que avançar em melhorar o nosso sistema de informação", argumentou.

Para o economista, é normal que o governo não consiga priorizar a política do auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais agora.

"A primeira medida do governo é transferir renda para todas aquelas pessoas que, de alguma maneira, tem um cadastro e são os prováveis candidatos a estarem afetados, mas nem todos estão afetados e tem vários que não estão nessa lista e provavelmente estão afetados", pontuou.

Paes Barros também disse na entrevista que o auxílio emergencial terá que durar por mais tempo para profissionais de alguns setores da economia.

"Temos que manter essas transferências junto com as frentes de trabalho por um período longo de tempo, mas temos que ganhar conhecimento da situação local para torná-las mais bem focalizadas. Provavelmente, teremos que continuar pagando por um ano ou mais, mas crescentemente mais bem focalizada", observou. No momento, o benefício está previsto para durar três meses.

"Para alguns, [o período de crise] vai ser muito rápido, outros vão ter um longo período de recuperação econômica. Nesse caso, vamos ter que dar apoio para eles, principalmente aos pequenos empresários informais, que vão precisar de apoio com as dívidas que forem acumuladas nesse período", concluiu.

Economia