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Com pouco movimento, aeroporto de Porto Alegre corta 70% dos terceirizados

Hygino Vasconcellos/UOL
Imagem: Hygino Vasconcellos/UOL

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

13/06/2020 04h00

A queda no movimento devido à pandemia do coronavírus provocou a demissão de 549 trabalhadores terceirizados que atuavam no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Isso representa 70% dos 789 terceirizados que havia. Segundo a Fraport, responsável pela gestão do terminal, foram encerrados 23 contratos com empresas que prestavam serviços.

Esses funcionários atuavam no direcionamento das aeronaves na pista, sistema de bagagens, equipamentos de raio-x e embarque dos passageiros. Agora, esses serviços passaram a ser realizados pela própria Fraport.

Segundo a administradora, a queda de circulação no aeroporto foi de 96% somente em abril: a média diária antes da pandemia era de 22,8 mil passageiros; em abril, foram cerca de 900 pessoas. A queda no número de voos foi de 93%: de 200 voos diários, em média, para 14. Para junho, a projeção é de uma média diária de 23 voos, com destinos para Rio de Janeiro, Campinas, Brasília e São Paulo.

Demitido após 2ª filha nascer

Luis Marcos Farias, 31, atuou por seis meses como recepcionista de imigração para uma empresa terceirizada que prestava serviços à Polícia Federal. Ele foi demitido no final de maio. "Eu já sabia. Eu cobria as férias dos meus colegas. Quando deram férias coletivas para todo mundo, eu já imaginava que iria ser desligado", conta. A demissão ocorreu dias depois do nascimento da segunda filha.

No aeroporto, ele trabalhava 12 horas e tinha 36 horas de folga. Nos momentos de descanso, atuava como motorista de aplicativo. Com a demissão, aumentou o tempo ao volante para tentar cobrir o valor que recebia no Salgado Filho.

"Sinceramente, não fez muita diferença (no orçamento). Lá no aeroporto era mais para pagar a escola da minha filha. Aumentou só a carga horária de trabalho com aplicativo", relatou Farias, minutos após ter assinado a rescisão de contrato.

Trabalhou um ano e meio

Paula Cunha, 44, foi demitida no início da pandemia, em 17 de março. Ela trabalhou por um ano e meio como agente de proteção, nas máquinas de raio-x.

Desde então, passou a receber o seguro-desemprego e ainda não procurou outro trabalho. "A gente fica preocupada. Mas eu acredito que emprego tem, mesmo com a pandemia", disse.

Lojas fechadas e pouco movimento

A redução nos voos praticamente esvaziou os corredores do aeroporto. A reportagem esteve no terminal e percebeu pouca movimentação de passageiros e muitas lojas fechadas.

Dos 66 negócios de alimentação, serviços e varejo, 44 estão com as portas fechadas e 22 continuam em funcionamento, conforme a concessionária. A Fraport suspendeu a cobrança do aluguel enquanto estiverem em vigor os decretos municipal e estadual que restringem atividades.

A concessionária afirma que redobrou a atenção com a higienização do terminal e que intensificou a limpeza de banheiros e pontos de contato, como assentos, corrimãos e elevadores.

"Preparamos também uma sinalização especial sobre as medidas de distanciamento necessárias e uso de máscaras, distanciamento nos espaços de filas, entre outros tópicos", afirmou a empresa em nota. Além disso, álcool em gel foi colocado à disposição dos passageiros em locais de grande circulação.