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Auxílio emergencial terá impacto de 2,5% do PIB na economia, diz estudo

Efeito será mais significativo no Nordeste, onde o benefício representará 6,5% do PIB da região - Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo
Efeito será mais significativo no Nordeste, onde o benefício representará 6,5% do PIB da região Imagem: Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

12/08/2020 16h27Atualizada em 07/10/2020 19h42

O impacto médio do auxílio emergencial de R$ 600 na economia será de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2019, segundo estudo da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Proporcionalmente, o efeito será ainda mais significativo no Nordeste, onde o benefício deve representar 6,5% do PIB da região em 2019.

Em valores absolutos, esses 2,5% equivalem a R$ 182,5 bilhões. Em 2019, o PIB do Brasil ficou em R$ 7,3 trilhões, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os economistas Ecio Costa e Marcelo Freire, responsáveis pela projeção, explicam que esse impacto se dá porque o auxílio emergencial é um programa de transferência de renda direta, sem nenhuma contrapartida à população, tendo efeito "pulverizador e multiplicador" em todos os segmentos econômicos.

"Essa política vai abrangendo todos os setores a partir da decisão dessas famílias [sobre como gastar o dinheiro]. Elas vão gastar no consumo de alimentos, vestuário, eletrodomésticos, vão quitar dívidas. Isso termina movimentando a economia em todos os segmentos", explica Costa.

Norte e o Nordeste serão os mais beneficiados quando analisados os recursos do auxílio emergencial em proporção ao PIB local. Todos os 16 estados das duas regiões terão percentuais superiores à média nacional de 2,5%, com destaque para o Maranhão, onde o impacto do benefício chegará a 8,6% do PIB de 2019.

Logo atrás vêm Piauí (7,9%), Paraíba (6,7%), Alagoas e Ceará (ambos com 6,4%).

Há ainda 12 estados com porcentagens acima da média nacional: Sergipe, Acre (os dois com 5,9%), Bahia, Amapá (empatados com 5,8%), Pernambuco (5,5%), Rio Grande do Norte (5,3%), Roraima (4,8%), Amazonas (4,3%), Tocantins (4%), Rondônia (3,2%) e Goiás (2,6%).

Apesar de São Paulo ser o que mais recebeu recursos do auxílio emergencial, com um aporte de quase R$ 30 bilhões, o estado deve ter um dos menores impactos na economia em relação ao PIB — 1,3% —, ficando à frente apenas de Santa Catarina (1,2%) e Distrito Federal (0,7%).

Acima dos paulistas estão Rio Grande do Sul (1,4%), Paraná (1,6%), Rio de Janeiro (1,9%), Mato Grosso do Sul (2,1%), Mato Grosso (2,1%), Minas Gerais e Espírito Santo (ambos com 2,5%, como a média nacional).

'Máquina da economia funcionando'

O estudo da UFPE ainda aponta que, em alguns municípios de regiões menos desenvolvidas, o auxílio emergencial dará a sensação de que a crise econômica não trouxe consequências negativas.

"São injeções de recursos livres na economia, o que faz com que o consumo aconteça. O comércio não demite funcionários, a indústria continua produzindo, os serviços são demandados e você tem a máquina da economia funcionando com o estímulo causado por essa política", diz Costa.

Os resultados corroboram outras pesquisas sobre o mesmo tema, que já revelaram que o auxílio emergencial reduziu a extrema pobreza do país ao menor nível em 40 anos e que o rendimento das famílias mais vulneráveis cresceu com o benefício.