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Ipea prevê crescimento de até 4,7% no PIB com reformas do governo federal

Ipea prevê crescimento de até 4,7 no PIB em 2021 com a aprovação de reformas do governo; sem, poderia chegar até a 3,6% de aumento - Getty Images
Ipea prevê crescimento de até 4,7 no PIB em 2021 com a aprovação de reformas do governo; sem, poderia chegar até a 3,6% de aumento Imagem: Getty Images

Cláudio Ferreira

Da Agência Câmara de Notícias, em Brasília

08/09/2020 18h03

Mesmo diante de incertezas provocadas pela pandemia da covid-19 e agravadas por um cenário de situação fiscal complicada, as estimativas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) são de que o Brasil terá crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021. Os dados foram apresentados hoje em audiência pública da comissão mista do Congresso que analisa os impactos econômicos do novo coronavírus.

"A gente imagina, em um cenário transformador, com reformas estruturais feitas imediatamente - pacto federativo, reforma tributária, etc —, que nós chegaríamos, em 2021, a um aumento de 4,7% do PIB. Mas, na ausência dessas reformas, a estimativa é de um crescimento de 3,6%", afirmou o diretor de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura do Ipea, André Rauen.

Ele acrescentou que, para 2020, a projeções são de queda de 6% na soma das riquezas do País em relação ao ano passado.

Sugestões

O Ipea elaborou um documento com 33 recomendações de curto prazo para o chamado "pós-pandemia", entre as quais estão a adoção de um sistema de gestão de recursos hospitalares e o incentivo à inovação no complexo industrial da saúde, além da cobertura do serviço de saneamento em áreas irregulares como favelas.

Nos itens econômicos, há sugestões como a necessidade de concessão de empréstimos a micro e pequenos empresários e de estabelecimento de parcerias internacionais na área de infraestrutura.

Retomada com segurança

Oficial Nacional da Unidade de Vigilância, Preparação e Resposta a Emergências e Desastre da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), Juan Cortéz disse que as Nações Unidas apoiam a retomada econômica, mas de maneira segura.

Ele ressaltou, por exemplo, a necessidade de se conhecer a situação epidemiológica local antes de decidir pela volta às aulas, além de garantir medidas de higiene nas escolas, distanciamento físico e a continuidade da tele-educação.

As dúvidas sobre o retorno dos estudantes ao sistema presencial foram salientadas pelo relator da comissão mista, deputado Francisco Jr (PSD-GO), que relacionou o tema à questão econômica.

"Precisamos ter uma definição mínima de segurança e de preparo, pensarmos inclusive na possibilidade de uma linha de crédito ou um apoio emergencial às escolas, para que tenham condições de oferecer a crianças e adolescentes as condições necessárias para continuar sua educação", comentou.

Dificuldades

Durante a audiência, Juan Cortéz apontou que ainda há falta de clareza em várias questões relacionadas à Covid-19, como as sequelas da doença. Ele relatou que há 175 vacinas em teste, com oito delas na fase 3 de experimentos clínicos, além de um esforço conjunto dos países para que dois bilhões de doses da imunização contra o novo coronavírus estejam disponíveis no ano que vem.

Coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, criticou a falta de coordenação nacional no combate à pandemia. Ele informou que uma simulação feita em agosto pelo comitê previa 120 mil óbitos pela covid-19 no país em 1º de setembro, o que foi confirmado. E mostrou um gráfico com outra projeção que reduzia esse número para 22 mil óbitos se 60% da população tivessem cumprido o confinamento, como foi feito em outros países.

"Quase 100 mil vidas teriam sido poupadas se o Brasil tivesse conseguido fazer o que a Alemanha fez", sustentou.

DataSUS

O diretor do Departamento de Informática do SUS (Sistema Único de Saúde), Jackson Barros, apresentou os resultados da unificação de informações sobre atendimentos, exames e vacinas que está funcionando desde o início da pandemia.

Ele informou que o DataSUS trabalha na consolidação de dados sobre ocupação de leitos hospitalares em todo o País e apontou a falta de informatização nas unidades de saúde como entrave para melhorar o sistema.