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SP: Associações culpam 'pancadões' por alta da covid e criticam restrições

Bares da região da Pompeia, na zona oeste, fecharam as portas mais cedo por conta da fase vermelha - Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo
Bares da região da Pompeia, na zona oeste, fecharam as portas mais cedo por conta da fase vermelha Imagem: Marcelo D. Sants/Framephoto/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

26/01/2021 16h59Atualizada em 26/01/2021 18h11

Dezoito entidades que representam empresários e lojistas criticaram hoje as novas restrições impostas pelo governo de São Paulo ao funcionamento do comércio, eximindo o setor pela alta dos casos e mortes por covid-19 no estado e culpando, sem provas, os "pancadões" na periferia, as festas particulares e o transporte público.

Desde ontem, todo o estado deve ficar na fase vermelha do Plano São Paulo das 20h às 6h, de segunda à sexta, e durante o dia todo aos fins de semana e feriados, a contar do próximo (30 e 31). Nesta fase, só é permitido o funcionamento de setores essenciais, como farmácias, mercados, bancas de jornal e postos de combustíveis, por exemplo.

Em manifesto enviado ao governador João Doria (PSDB), as associações argumentaram que o fechamento dos estabelecimentos aos sábados e domingos prejudicará "ainda mais" o setor, já que os dois dias representam entre 40% e 50% do faturamento total da semana. Elas disseram apoiar os esforços do governo para conter o avanço do coronavírus, mas acreditam já cumprir "os mais rígidos protocolos de prevenção".

"A imensa maioria dos empresários do setor não pode ser punida por causa de alguns que desrespeitam as leis", defenderam. "Vale salientar que, em nosso entendimento, o aumento da contaminação da covid-19 tem ocorrido principalmente em aglomerações em bairros da periferia, nos chamados 'pancadões', em festas particulares, baladas ilegais, eventos que não têm fiscalização, além de feiras livres e transporte público."

As entidades ainda disseram se preocupar com o fato de que, com o fechamento de bares, restaurantes e shoppings, funcionários possam usar a "folga" para viajar, se reunir com os amigos ou ir a baladas, ajudando a disseminar o vírus no estado e, mais especificamente, na capital paulista.

"É importante que o governo do estado de São Paulo entenda a dificuldade que milhares de empresas estão enfrentando e que as restrições trazem mais ônus à população em um momento em que a economia não dá sinais de recuperação e o desemprego continua aumentando. Para se ter uma ideia, o setor de bares, restaurantes e shoppings é responsável por cerca de 5 milhões de empregos diretos e indiretos na capital paulista, vagas que estão ameaçadas pelas restrições determinadas pelo Plano São Paulo", argumentaram.

São Paulo é, em termos nominais, o estado mais afetado pela covid-19, tendo confirmado 1.715.253 casos e 51.838 mortes desde o início da pandemia, segundo dados atualizados na manhã de hoje pelo governo.

Um dos critérios para a regressão do Plano São Paulo é a taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para pacientes de covid-19, que hoje está em 71%, tanto no estado quanto na Região Metropolitana.

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