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Auxílio emergencial: Cobra de quem determinou ficar em casa, diz Bolsonaro

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade e Rayanne Albuquerque

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

12/02/2021 14h42

Em tom de desabafo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou hoje a atribuir ao que tem chamado de "política do fica em casa" os problemas econômicos decorrentes da pandemia do coronavírus.

Em conversa com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada, o governante se disse injustiçado por críticas direcionadas a ele pelo fim do auxílio emergencial e deu um recado à sua base: "Cobre de quem te determinou ficar em casa, fechou o comércio e acabou com o seu emprego".

"Cobrem os governadores. Eles podem se endividar também. O governo [federal] está se endividando. Até quando vai durar isso aí?", questionou Bolsonaro.

Ao reclamar de questionamentos, Bolsonaro fez referência a mensagens recebidas em suas páginas nas redes sociais. O presidente deu a entender que tem sido pressionado por apoiadores devido ao fim do auxílio, socorro financeiro criado para atender às camadas da população mais afetadas pela pandemia.

"Está sendo estudado [o valor referente à prorrogação do benefício]. Eu pergunto para você: qual pais da América do Sul adotou auxilio emergencial? Nós botamos R$ 600 por cinco meses, e R$ 300 e por quatro meses. Quando termina, dão porrada em mim."

Bolsonaro tem afirmado repetidamente que a perpetuação do auxílio emergencial levaria o país a um caos financeiro, com endividamento e comprometimento do equilíbrio fiscal.

Ele era contra a ideia de prorrogar o auxílio em 2021, mas acabou cedendo diante da pressão de parlamentares aliados. Segundo avaliação do Planalto, barrar a continuidade do benefício tornou-se inevitável. Tanto na Câmara quanto no Senado há apoio majoritário em favor da extensão.

De acordo com o presidente, somente a primeira etapa de pagamento do auxílio, no ano passado, gerou um endividamento de R$ 50 bilhões mensais.

"São 68 milhões de pessoas [beneficiadas]. Quando era R$ 600, foram quase R$ 50 bilhões por mês de endividamento. Quem vai pagar essa conta são vocês. A gente tem dificuldade. Eu sei que tem. Lamento, tenho pena, mas se nós nos desajustarmos fiscalmente, vem uma inflação galopante aí."