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Uebel: Intervenção na Petrobras é traição ao voto que os eleitores deram

22.jan.2018 - Paulo Uebel, ex-secretário Geral de Desburocratização, Gestão e Governo Digital - Danilo Verpa/Folhapress
22.jan.2018 - Paulo Uebel, ex-secretário Geral de Desburocratização, Gestão e Governo Digital Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

23/02/2021 10h31

Paulo Uebel, ex-secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, classificou a intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Petrobras como uma "traição" ao voto que os eleitores lhe deram. Na semana passada, o mandatário comunicou a indicação do general Joaquim Silva e Luna para substituir o atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco.

Em entrevista ao jornal O Globo, Uebel, que deixou o governo em agosto do ano passado, disse que Castello Branco é uma pessoa "extremamente preparada e muito séria". "Ele cumpriu a sua missão de forma exemplar e mesmo assim foi sacrificado. Eu acho uma injustiça. Contraria o voto que a população deu no presidente", avaliou.

Questionado sobre qual é o efeito da mudança, ele avaliou que quando há uma redução da eficiência da empresa, todos os brasileiros são prejudicados.

"Fora a sinalização para o mercado e para todo o mundo que o Brasil está regredindo em governança, em boas práticas de gestão. Isso contraria não só a agenda liberal, como o próprio governo do então candidato Jair Bolsonaro, que foi eleito nas urnas. A intervenção é uma traição ao voto que os eleitores deram", acrescentou.

Uebel disse ainda acreditar que o ministro da Economia, Paulo Guedes, seguirá no cargo por ser "resiliente" e querer "deixar um legado". "Acredito que ele vai continuar tentando aprovar as reformas estruturais, que são fundamentais para o país", acrescentando, no entanto, que a "agenda econômica perdeu muita força".

Segundo ele, "o tempo vai mostrar" que a intervenção gera danos para a sociedade, citando como exemplos os juros, câmbio, investimentos e privatizações das refinarias. "Tem um impacto muito grande na credibilidade do país."

Questionado sobre como classifica sua posição em relação ao governo, Uebel disse apoiar "100% o programa de governo".

"(No caso de) eventuais decisões do governo que são contrárias ao plano Caminho da Prosperidade, eu serei crítico. Mas tudo naquilo que for no sentido de avançar o plano de governo caminho da prosperidade eu serei favorável, vou torcer para que aconteçam e, se acontecerem, vou aplaudir."