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PF faz buscas em instituto de previdência do Entorno de Brasília

Dois ex-dirigentes e a sede do Ipasluz foram alvo dos agentes - Divulgação/PF
Dois ex-dirigentes e a sede do Ipasluz foram alvo dos agentes Imagem: Divulgação/PF

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

25/02/2021 12h32

A Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão no Entorno de Brasília na manhã de hoje. As residências de dois ex-diretores de um fundo de pensão da cidade de Luziânia (GO), a maior da região, e a sede do instituto Ipasluz foram vasculhadas pelos agentes e delegados na Operação Lux.

Segundo a corporação, a suspeita é de gestão fraudulenta de fundos de investimento. Isso porque os recursos depositados estavam num "fundo sólido" e foram levados a "ativos de risco". "Os valores do investimento apurados na investigação ultrapassam os R$ 5 milhões", afirmou a PF em comunicado.

Os possíveis crimes apurados são gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Fontes da PF informaram ao UOL que os fundos de investimento considerados de risco eram o Terranova Imab Fic e o fundo de Investimento em Participações LSH Multiestratégia. "Esses fundos já foram objetos de outras investigações, em que o mesmo modus operandi foi identificado: a empresa de gestão de fundos de investimentos utilizava lobistas para captar clientes e negociar com eles em seu nome", acrescenta uma nota da PF.

Esses lobistas ficavam encarregados de oferecer o pagamento indevido de benefícios aos clientes, como forma de 'convencê-los' a fechar o negócio com a empresa"
Nota da Polícia Federal

As aplicações foram feitas em 2013 e 2017, na gestão anterior, segundo o superintentente do Ipasluz, Ravel Vaz Meireles.

Um dos alvos da operação foi o antecessor dele, o ex-superintendente Fabiano Pacífico. O outro foi o ex-diretor-financeiro Ivan Marques Guimarães. Ele é tio do ex-prefeito da cidade Cristóvão Vaz Tormin (PSD), de acordo com o Ministério Público de Goiás.

Segundo os investigadores, Pacífico e Marques atuaram de forma a gerar prejuízos ao Ipasluz. A polícia suspeita que eles se omitiram nos cuidados necessários ao fazer aplicações no Terranova e no LSH Multiestratégia.

O Instituto diz que vai apurar prejuízos

O atual superintentente do Ipasluz, Ravel Vaz, disse ao UOL que assumiu em 1º de janeiro, na gestão do prefeito Diego Vaz Sorgatto (DEM). "A operação não tem nenhuma relação com a gestão atual", afirmou ele à reportagem.

Ele afirmou que negocia a contratação de uma consultoria para apurar os prejuízos ao instituto. O valor não foi levantado ainda.

A reportagem buscou contato com Pacífico e Marques por meio de moradores da cidade, advogados e do próprio Ipasluz, mas não os localizou. Não houve retorno a recados deixados num telefone de Pacífico. Os esclarecimentos serão publicados se forem recebidos.

A corretora RJI, do Rio de Janeiro, que administra o fundo LSH Multiestratégia, afirmou que não poderia comentar o assunto. "Os dados solicitados são informações sigilosas, sendo vedado por lei o compartilhamento", informou o setor de compliance ao UOL.

Ninguém atendeu nos telefones e endereços de internet registrados em nome do fundo Terra Nova. Segundo a Receita Federal, a empresa também tem sede no Rio.

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