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FMI eleva previsão de PIB mundial; Brasil deve crescer 3,7% em 2021

Aumento da vacinação levou FMI a melhorar as previsões para a economia global - Getty Images
Aumento da vacinação levou FMI a melhorar as previsões para a economia global Imagem: Getty Images

Da RFI

06/04/2021 13h37

A vacinação anti-Covid e um forte apoio fiscal, especialmente nos Estados Unidos, levaram o Fundo Monetário Internacional (FMI) a melhorar as previsões para a economia global. Após a recessão histórica provocada pela pandemia no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial vai crescer 6% em 2021. A perspectiva para a economia do Brasil também melhorou e o país deve crescer 3,7% este ano. No entanto, o FMI alerta que as perspectivas a longo prazo dependem da evolução da pandemia.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) no relatório "Perspectivas da Economia Mundial" (WEO, em sua sigla em inglês). O Brasil - o segundo país com mais mortes por Covid-19, depois dos Estados Unidos - registrou em março o pior balanço desde o início da pandemia, com 66.000 mortos. Neste contexto, o país não se beneficiará da melhora do panorama externo - com sólidos desempenhos da China e dos Estados Unidos - se não conseguir controlar o avanço do vírus, que deixa um primeiro trimestre de índices nacionais fragilizados.

Em 2020 a economia brasileira sofreu uma dura contração de 4,1%, um índice menos acentuado do que o esperado no início da pandemia graças ao auxílio emergencial que o governo disponibilizou a um terço da população. Mas quando Brasília parou de fornecer o auxílio, em janeiro deste ano, as taxas de produção industrial, de consumo das famílias e de emprego despencaram.

Além disso, as várias demissões de ministros da Saúde desgastaram o governo do presidente Jair Bolsonaro, assim como o programa de vacinação que caminha lentamente e enfrenta problemas logísticos, aponta o relatório.

Recuperação América Latina "em velocidades diferentes"

O FMI melhorou as projeções para toda a América Latina que, depois da forte contração de 7% registrada no ano passado, terá em 2021 "uma recuperação leve e com velocidades diferentes". Mas a previsão é que a região tenha um crescimento de 4,6%, ficando, portanto, abaixo da média global de 6%.

Assim como para o Brasil, o organismo com sede em Washington alertou que as perspectivas para toda a região a longo prazo "continuam dependendo do rumo que a pandemia tomar". "A maioria dos países do sub-continente não garantiu vacinas suficientes para cobrir sua população", alertou a instituição, enquanto a OMS multiplica os apelos para uma melhor distribuição dos imunizantes no planeta.

Vários países latino-americanos devem crescer mais do que o Brasil este ano. Segundo o FMI, o crescimento mexicano será de 5%, o da Argentina de 5,8% e o Chile 6,2%. A boa perspectiva para a economia argentina é de importância vital para o país, paralisado em um lento diálogo com o FMI para renegociar os termos de um acordo gigantesco para um empréstimo de US$ 44 bilhões.

Para o conjunto da região, o FMI estima um crescimento mais modesto em 2022, de 3,1%.

Economia mundial

A projeção para o PIB mundial de 6% é 0,5 ponto mais alto do que a previsão de janeiro. Para 2022, a instituição projeta um aumento de 4,4% (+0,2 ponto). Com a recuperação, o volume de comércio de bens e serviços no mundo vai crescer 8,4% em 2021 e 6,5% no próximo ano. "A saída da crise sanitária e econômica é cada vez mais visível", afirma a economista chefe do FMI, Gita Gopinath, na introdução do WEO.

Em 2020, a contração de 3,3% provocada pela emergência sanitária gerou a pior recessão em tempos de paz desde a Grande Depressão. As rápidas respostas governamentais evitaram um resultado muito pior, um colapso que poderia ter sido "ao menos três vezes maior", destaca Gopinath.

Para os Estados Unidos, país que aprovou um pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão no mês passado, a expectativa é de um crescimento de 6,4% (+1,3 ponto) em 2021 e de 3,5% (+1 ponto) em 2022. A maior economia do mundo se fortalece graças ao avanço da vacinação - com mais de 3 milhões de doses aplicadas a cada dia. A campanha de imunização aliviou as restrições em setores muito afetados, como os restaurantes e o turismo.

Ao mesmo tempo, o PIB da China, um dos poucos países que cresceu no ano passado, vai ter um aumento de PIB 8,4% em 2021, segundo o FMI.

Recuperação desigual

Vários países não conseguirão este nível de recuperação até 2022 ou, em alguns casos, apenas em 2023 para as nações em desenvolvimento. Este cenário pode acontecer inclusive entre os países desenvolvidos. Na Zona do Euro, onde a campanha de vacinação está atrasada, o FMI espera que o crescimento alcance 4,4% este ano, um ritmo insuficiente para compensar a contração de 6,6% registrada em 2020.

O FMI advertiu que a crise de saúde continua sendo o fator crucial na recuperação econômica. A instituição destaca que a lenta vacinação em muitas nações em desenvolvimento aumenta o risco de agravamento dos focos de Covid-19, e de uma diferença cada vez maior entre países ricos e pobres.

Aumento da fome e pobreza

Os fechamentos de estabelecimentos comerciais para frear a propagação do vírus provocaram um dano às economias dos países em desenvolvimento que reduziu drasticamente a renda per capita, o que "reverteu os avanços na redução da pobreza". O FMI calcula que quase 95 milhões de pessoas caíram na pobreza extrema em 2020 e o planeta tem 80 milhões a mais de desnutridos que antes.

"As nações deverão trabalhar juntas (...) para garantir o acesso universal (da vacina), inclusive por meio do financiamento do mecanismo Covax, do qual muitos países de baixa renda dependem em grande parte para receber as doses", afirmou a economista Gopinath.

O FMI fez ainda um apelo aos países por uma cooperação para atenuar os custos da mudança climática, modernizar os impostos corporativos internacionais e lutar contra a fraude fiscal.

(Com informações da AFP)

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