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Realidade aumentada mostra apartamentos e ajuda a vender, mas poucos usam

Do UOL, de São Paulo

05/05/2021 04h00

O mercado de construção civil e imobiliário é visto como sendo bastante tradicional. Mas, cada vez mais, inovações mudam o jeito de erguer e comprar imóveis. Segundo uma pesquisa, 55% das empresas do mercado imobiliário e de construção querem investir em alguma inovação ou empresa de tecnologia para o setor nos próximos dois anos. Dá para usar realidade aumentada para mostrar um apartamento decorado, por exemplo, Mas, na prática, poucos usam.

O estudo é feito pela Brain Inteligência Estratégica desde 2019. A pesquisa entrevistou 580 empresas que atuam principalmente nas áreas de construção e incorporação, seguido de prestação de serviços e loteamento ou urbanismo. Dessas, 28% atuam no estado de São Paulo, 19% em Minas Gerais, e 18% em Santa Catarina e Paraná.

O estudo mostra quais tipos de tecnologia se destacaram entre as empresas imobiliárias consultadas. Um exemplo são os drones, conhecidos por 93% dos entrevistados, e já utilizados por 36% das startups do mercado imobiliário.

Uso variado para drones

Drones podem ser usados para verificar o terreno, fazer segurança, mapear a área, realizar inspeção e análises estruturais. Também são usados para publicidade dos imóveis.

"Vemos que em todas as regiões do Brasil há algum tipo de iniciativa, para ganho de produtividade ou eficiência na construção", diz Fabrício Schveitzer, diretor de estratégia e mercado do Sienge, empresa de tecnologia para o setor

Realidade aumentada mostra apartamento decorado

A realidade aumentada é uma ferramenta que 15% dos respondentes afirmaram estar dispostos a investir. A tecnologia pode ser usada para mostrar um apartamento decorado a compradores pelo celular, por exemplo, ou para acompanhar uma obra ou projeto.

Dos que mencionaram a ferramenta, apenas 22% a utilizam, sendo 50% grandes empresas -ou seja, 3,3% do total. As empresas de prestação de serviço são as que mais mencionam investimentos nessas tecnologias: 57% apostaram em drones e 47% em realidade virtual e aumentada.

Se antes as empresas eram reticentes a fechar contratos de maneira digital, hoje isso virou padrão. "Venda digital, por exemplo, foi uma necessidade de todas as incorporadoras na pandemia. Elas foram forçadas a inovar, foi uma questão de não mortalidade", diz Fábio Garcez, CEO da empresa Construtor de Vendas.

Assinatura de contrato a distância e envio de folhetos e peças de marketing pela internet também são inovações nas vendas.

Investimento em tecnologia

Cerca de 63% dos entrevistados relataram já contar com algum tipo de estratégia que envolva soluções tecnológicas. Essas inovações podem ser usadas em novos serviços, plataformas de gestão, bancos de dados ou inteligência artificial.

Entre as empresas que já têm algum tipo de estratégia, 55% usam tecnologia na comunicação ou oferta do produto, 53% em processos internos, 47% na organização da empresa e 34% na experiência do consumidor.

Quem ainda não investe e nem tem parcerias com essas startups ou tecnologias cita questões como a limitação de recursos financeiros (42%), a falta de equipe especializada (32%) e uma cultura corporativa que ainda não leva em conta essa necessidade (29%).

"A barreira financeira para inovar já foi muito maior. Hoje temos cerca de 4 mil clientes, então vemos que não há barreira técnica ou financeira", diz Schveitzer.